RCN: Debate destaca derrota de Bolsonaro, lutas e aponta desafios com novo governo

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Necessidade da independência de classe, da luta direta e unidade foram destacadas, assim como a importância do 5° Congresso da Central em 2023

O segundo dia da reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas, neste sábado (3), foi dedicado a fazer um balanço do ano e debater a conjuntura e as perspectivas para 2023.

A mesa, representativa com as posições existentes na Central, foi formada por integrantes da Secretaria Executiva Nacional. Falaram Atnágoras Lopes, do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belém; Irene Maestro, do Movimento Luta Popular; Diego Vitelo, do Sindicato dos Metroviários de SP; e a Nancy Galvão, professora estadual em SP e ativista da oposição à Apeoesp.

A defesa da unidade e independência de classe

Atnágoras Lopes, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belém (PA), foi o primeiro a falar e em seu informe destacou a necessidade da unidade e da independência de classe para enfrentar os desafios que estarão colocados para a defesa da classe trabalhadora no próximo período.

Ao resgatar a intervenção da Central, Atnágoras lembrou dos amplos processos de unidade de ação que a CSP-Conlutas participou ao longo do ano, como na Campanha Fora Bolsonaro, Campanha Despejo Zero, nas lutas do Fonasefe e do funcionalismo contra a Reforma Administrativa, na luta contra o Marco Temporal, assim como inúmeras mobilizações específicas, citando como exemplo, a heroica greve dos operários/as da CSN, de Volta Redonda (RJ), as greves operárias contra a redução de direitos na pandemia, em defesa da Educação, contra as opressões, etc.

O dirigente reivindicou a intervenção da Central que desde o início lutou para derrotar Bolsonaro nas ruas - mesmo quando as demais centrais e movimentos optaram por frear os processos de mobilização para em detrimento do calendário eleitoral-, assim como a defesa do voto crítico em Lula no 2° turno das eleições. “A CSP-Conlutas fez parte dessa luta, mas paralelo a isso deixamos claro que não se tratava de depositar confiança ou dar apoio à Frente Amplíssima com a burguesia, construída por Lula e o PT”, disse.

Ele criticou a posição das outras centrais sindicais que já têm se colocado em apoio ao governo Lula e essa semana se declararam contra a revogação da Reforma Trabalhista feita pelo governo Temer. “A unidade de ação é uma necessidade, mas será um desafio, pois as direções majoritárias não parecem que terão a disposição de construir mobilização para defender as pautas dos trabalhadores e cobrar o governo Lula”, avaliou.  Segundo Atnágoras, a tarefa é seguir a defesa de um programa emergencial em defesa da classe trabalhadora, a começar pela revogação integral da reforma trabalhista e outras contrarreformas como a previdenciária, privatizações, plano de obras públicas para gerar empregos, entre outras reivindicações.

A crise social e o papel estratégico da CSP-Conlutas

Irene Maestro, do Movimento Luta Popular, falou na sequência e destacou a crise social que assola a classe trabalhadora, especialmente os setores mais pobres, e o papel estratégico que a CSP-Conlutas pode cumprir nessa situação.

“No próximo período, teremos de enfrentar a extrema direita e também o governo Lula/Alckmin que tem um plano a serviço do Capital, em meio à piora das condições de vida do povo pobre. Hoje, temos mais da metade população em insegurança alimentar, um nome bonito que quer dizer passando fome. Assistimos a explosão do encarceramento em massa do povo negro e pobre, com 1 milhão de pessoas presas, mais da metade sem condenação, o aumento da letalidade das ações policiais. Temos um milhão de pessoas ameaçadas de despejo. Sem falar nos ataques sofridos pelos povos originários e tradicionais e a destruição da natureza”, elencou.

“Nosso desafio é abarcar as várias formas de luta que nossa classe vai encontrando para enfrentar todos esses ataques e em defesa dos seus direitos. É preciso organizar a classe que tem carteira assinada, mas os que hoje não tem esses direitos e também estão lutando”, disse. Irene lembrou que na pandemia, foram setores precarizados como trabalhadores/as do telemarketing, de aplicativos, da saúde onde se recebem os menores salários, que foram os primeiros a resistir.

Para Irene, o perfil sindical e popular, classista e de luta da CSP-Conlutas deve ser aprofundado e que o 5° Congresso que será realizado em setembro de 2023, possa aglutinar as lutas e lutadores e fortalecer as estratégias e planos de ação em defesa da classe trabalhadora.

As expectativas da classe e a Frente Ampla

O metroviário Diego Vitelo também destacou a importância da derrota eleitoral de Bolsonaro para tirar a ultradireita do poder federal e enfraquecer os planos de fechamento do regime, mas lembrou que esses setores seguem organizados. “Mesmo não vendo que os atos golpistas tenham hoje condições de triunfar, vão seguir com potencial de mobilização e será necessário enfrentá-los”, afirmou.

“Artur Lira (presidente da Câmara) acaba de conceder uma aposentadoria a Bolsonaro no valor de R$ 30 mil. A tarefa dos movimentos é exigir a prisão de Bolsonaro e seus filhos e a punição dos empresários que financiaram os atos golpistas”, disse.

Vitelo também avaliou que o governo de frente ampla construído pelo PT vai se chocar com as expectativas da classe trabalhadora e que há um processo de conciliação não só com a burguesia, mas também com setores da ultradireita. “Na equipe de transição, tem pessoas como Neca Setúbal, do Itaú, na Educação; economistas do Plano Real. Ao mesmo tempo, o PT declarou apoio à reeleição de Artur Lira e deve entregar o ministério da Defesa a José Múcio, nome indicado pelas Forças Armadas”, exemplificou.

 “Por outro lado, as burocracias vão pisar no freio. Vimos setores na Fasubra, por exemplo, que chegaram a defender um ano de trégua para supostamente dar estabilidade a Lula. Mas nós devemos fazer exigências e denunciar. Não pode ser que na PEC da Transição seja incluído apenas o Bolsa Família, enquanto o restante seguirá estrangulado pelo corte no orçamento”, disse.

“Os trabalhadores votaram em Lula esperando melhoras. Mas teremos de dialogar para mostrar que será preciso organização e mobilização. Daí a importância da CSP-Conlutas ter uma ação pautada na luta e reafirmar a independência de classe”, defendeu.

Fortalecer uma alternativa de direção, pela base, democrática e de luta

A professora Nancy Galvão também iniciou sua fala analisando a crise capitalista global e o aumento da barbárie e da piora nas condições de vida da classe trabalhadora em todo o mundo, e afirmou a necessidade de enfrentamento permanente aos ataques do Capital.

Em acordo com a avaliação geral, expressa pelos demais expositores, da importância da derrota eleitoral imposta a Bolsonaro, Nancy ressaltou, porém, que esteve colocada a possibilidade de derrotar de Bolsonaro nas ruas, nas mobilizações ocorridas, mas as direções majoritárias do movimento desviaram para a disputa eleitoral.

Ela lembrou que a CSP-Conlutas é a expressão da ruptura de um setor da classe com a CUT, que, durante os mandatos petistas de Lula e Dilma, se tornou um braço do governo. “Somos parte do processo de reorganização e construção de uma nova direção para a classe trabalhadora”, avaliou. “É importante entendermos isso para a tarefa no próximo período, de manter a independência de classe e defender um programa emergencial sob a ótica da defesa da classe”, disse.

Para a dirigente, mais do que nunca, a tarefa da Central é garantir uma unidade de ação por baixo, nas bases, na luta direta, com aqueles quem resistem e não pela superestrutura, e com democracia interna. “A CSP-Conlutas tem de ser um espaço para aglutinar todos que queiram defender a independência de classe. É uma tarefa gigante, mas a Central poder ser o embrião da superação da crise de direção. Para isso, o desafio é muita unidade e democracia para atrair a classe para dentro da Central”, afirmou.

Na sequencia da exposição dos integrantes da SEN, ocorreram dezenas de intervenções de delegados/as e observadores/as participantes, de forma presencial e virtual. O tema da conjuntura será concretizado na Resolução Política que será votada neste domingo (4), último dia de reunião da Coordenação.

A íntegra dos informes da mesa de conjuntura foi transmitido ao vivo pela página do Facebook e YouTube da Central.

 

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