Corte de energia: mais um ataque às famílias dos Lotes 96 e 97, no Pará

Corte de energia: mais um ataque às famílias dos Lotes 96 e 97, no Pará

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Nesta terça-feira (29), as famílias dos Lotes 96 e 97, da Gleba Bacajá, em Anapu (PA), foram alvo de mais um ataque a seu assentamento. Os moradores foram surpreendidos ainda pela manhã com a chegada de um Oficial de Justiça e dezenas de viaturas de polícia para cumprir uma decisão judicial arbitrária para cortar a energia elétrica das famílias.

A medida é gravíssima, seja porque impede o acesso a um direito básico e mínimo, seja porque como destacou a defensora dos Direitos Humanos e da Amazônia Natália Theófilo, moradora no Lote 96 e companheira de Erasmo Theófilo, liderança das famílias, ficar sem energia elétrica e, consequentemente sem o único ponto de acesso à internet da comunidade, significa retirar a única maneira de comunicação das famílias para as impedir de denunciar com rapidez as barbáries que os trabalhadores da agricultura familiar vêm sofrendo. "Não querem só nos destruir, querem nos silenciar", denunciou nas redes sociais.

Natália ressaltou ainda que somente neste ano, os moradores tiveram casas e escolas queimadas, armas foram apontadas para as cabeças de crianças, tiros foram disparados contra famílias,  mulheres e crianças foram obrigadas a passar longas noites no meio do mato e do igapó para se proteger, um delegado da Deca (Delegacia Especializada de Conflitos Agrários) ameaçou as famílias de despejo, etc. "O poder judiciário, a polícia e todo o sistema a favor do Capital", relatou.

Em nota, a CSP-Conlutas do Pará classificou a decisão como absurda. "Garantir energia às famílias é um direito constitucional. Podem ser cobradas taxas, mas o que definiu a Justiça não foi para garantir nenhum pagamento, mas sim deixar as famílias no escuro", denuncia.

"O que está por trás dessa arbitrariedade não é apenas a perda da dignidade, mas o fato de a Justiça atuar como capacho dos grileiros da região que disputam a área", destaca a CSP-Conlutas Pará. "Diante dos vários ataques sofridos pelas famílias e denunciados por diversas entidades, as respostas dos agentes de segurança do governo do Pará, governado por Hélder Barbalho, tem sido o deslocamento de baixo contingente policial e poucos recursos para proteger as famílias. "Recursos só não faltaram agora para deixar as famílias na escuridão. Portanto, fica evidente que qualquer ataque a essas famílias não é um mero ataque dos grileiros, mas também é responsabilidade da Justiça e do Governador do Pará", afirma a direção estadual da Central.

"Será um mero acaso, uma simples coincidência, esse duro golpe contra as famílias ser perpetrado próximo à entrada do período de recesso dos poucos órgãos que dão assistência à comunidade? O ano ainda não acabou, mas não acredito que o terror contra as famílias parará por aqui. Um plano macabro para erradicar a agricultura familiar da região está em curso…O terror do agronegócio não entra em recesso", desabafou Natália Theófilo.

A CSP-Conlutas reafirma todo apoio às famílias dos Lotes 96 e 97 da Gleba Bacajá. Seguiremos denunciando os absurdos e violência contra a comunidade e exigindo a revogação de tal decisão arbitrária do governador do estado do Pará.

 

 

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