Ataque em Aracruz (ES), agressões: a extrema direita e a escalada de violência no Brasil

Ataque em Aracruz (ES), agressões: a extrema direita e a escalada de violência no Brasil

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Desde ataque terrorista em escolas de Aracruz (ES) à outras agressões, destaca-se o discurso de ódio e intolerância da extrema direita

Após uma campanha eleitoral marcada por episódios de muita violência política, o Brasil segue registrando graves casos de violência protagonizada pela extrema direita e setores neofascistas. Nos últimos dias, vários casos tiveram repercussão na imprensa e nas redes sociais, com forte indignação e comoção.

Na sexta-feira (25), em Aracruz (ES), quatro pessoas morreram, entre elas, uma criança de 12 anos, e outras 12 pessoas ficaram feridas, após um ataque a tiros ocorrido em uma escola estadual e outra particular. As vítimas são a estudante Selena Sagrillo, de 12 anos, e as professoras Maria da Penha Pereira de Melo Banhos de 48 anos, Cybelle Passos Bezerra, de 45 anos e Flávia Amboss Merçon Leonardo, de 38 anos.

O caso está sob investigação. Mas as características do ataque chamam atenção. O atirador, de 16 anos, usou duas armas do pai, um tenente da Polícia Militar que chegou a publicar em suas redes sociais o livro “Minha Luta” de Adolf Hitler. No dia do ataque, o atirador usava uma máscara de caveira e uma roupa militar com inscrições nazistas.

Homem negro atacado

No sábado (26), ganhou divulgação um vídeo em que o músico Odivaldo Carlos da Silva, de 55 anos, é agredido no centro de Curitiba (PR) por um homem com golpes cassetete e chutes. O criminoso, um homem branco, careca, com roupas pretas, também usa um cachorro para atacar o músico. As imagens foram captadas por câmeras de segurança.

Odivaldo, também conhecido como Neno, relatou à TV RPC, afiliada da TV Globo, ter sido chamado de “macaco”, “negro sujo” e que “morador de rua tem de apanhar”. Neno teve uma fratura no maxilar, dente quebrado e ferimentos no rosto e terá de se submeter a uma cirurgia.

Segundo o G1, a polícia registrou o caso como “lesão corporal”. Ao ser questionada, se há suspeita de crime de injúria racial, racismo ou crime de ódio, a PM não respondeu. Familiares relataram que os xingamentos inicialmente não foram incluído pela PM no B.O (Boletim de Ocorrência), fazendo-o somente depois de cobrados.

As autoridades foram questionadas ainda se o agressor, cujo nome é Paulo Cezar Bezerra da Silva, teria sido preso e também não obteve resposta. A reportagem da TV RPC, contudo, flagrou Paulo Cézar andando com o cachorro na região da agressão.

Uma audiência preliminar virtual foi marcada para o dia 20 de março de 2023, ou seja, 117 dias após a agressão. O G1 também questionou a PM se um prazo tão longo é comum e não obteve resposta.

Bar alvo de tiros, petista ameaçado

A Casa MimoBar, localizada na 205 Norte, em Brasília (DF), foi alvo de tiros na madrugada deste domingo (27). Famoso no Plano Piloto, conhecido por ser um bar de “esquerda”, segundo testemunhas relataram, o local estava fechado quando duas pessoas desceram de um carro e dispararam quatro tiros contra o local.

Ainda neste final de semana, o trompetista Fabiano Leitão, que ficou conhecido por entoar em seu instrumento a melodia “olê, olê, olá, Lula, Lula” em várias ocasiões, denunciou em sua conta no Twitter uma ameaça sofrida também em Brasília. “Esse rapaz apontou uma arma pra mim assim que parei no sinal de trânsito. O motivo? Meu carro tem adesivos do Presidente Lula. Não vão nos intimidar”, escreveu Leitão na postagem que é acompanhada, ainda, de vídeo onde ele pede ao agressor que mostre novamente a arma que teria apontado contra o trompetista, momentos antes.

O homem no Ford Ranger, de cor preta, placa RED9E79, no vídeo é do sargento do Corpo de Bombeiros do DF, Rodrigo Luiz Gomes Pieruccetti, de 46 anos. Segundo a revista Fórum, atualmente o suboficial está lotado na Casa Civil do governo do DF na função de “segurança de pessoal”, pela qual recebe uma gratificação de R$ 1.793 que se soma aos R$ 10.927 de proventos líquidos como sargento do Corpo de Bombeiros Militar do DF.

 

Esse rapaz apontou uma arma pra mim assim que parei no sinal de trânsito. O motivo? Meu carro tem adesivos do Presidente Lula. Não vão nos intimidar. pic.twitter.com/zvdOfrLrvh

— Fabiano Trompetista 🎺 ⭐ (@Trom_Petista) November 26, 2022

Insultos e agressões públicas

De menor gravidade, insultos proferidos contra o cantor Gilberto Gil, de 80 anos, por torcedores brasileiros no Catar (Egito) no dia do jogo do Brasil contra a Sérvia, na última quinta-feira (24), também ganharam repercussão. Gil e sua companheira Flora Gil estavam no estádio para assistir o jogo e, após ser reconhecido por um grupo de torcedores, o cantor passou a ser hostilizado. O agressor vestia uma camiseta da CBF com o nome “Papito Rani” e seguiu o casal aos gritos de “Bolsonaro” e “Vamos, Lei Rouanet”. Em seguida, disse: “Você ajudou o Brasil para caralho. Obrigado, filho da puta”.

Ataques verbais, insultos e agressões contra pessoas, conhecidas publicamente ou não, mas identificadas como petistas ou críticas a Bolsonaro, têm ocorrido de forma recorrente.  

Nos bloqueios de estradas, realizados por bolsonaristas desde a derrota de Bolsonaro, vários episódios de agressões verbais e físicas também foram registrados.

Autodefesa para enfrentar a violência da ultradireita

Após quatro anos do governo de ultradireita de Bolsonaro - marcado por discursos de ódio, pela defesa da ditadura militar e práticas como tortura; e por uma política de liberação de porte e comércio de armas, que favoreceu milícias e o crime organizado-, o que se viu foi o aumento de setores de extrema direita.

Um levantamento divulgado no início deste ano, por exemplo, revelou que células de grupos neonazistas cresceram 270% no Brasil, entre janeiro de 2019 e maio de 2021, e se espalharam por todas as regiões do país. Segundo mapa, elaborado pela antropóloga Adriana Dias, existem pelo menos 530 núcleos extremistas, que têm em comum o ódio contra negros/as, judeus, pessoas LGBTs e feministas. Segundo a antropóloga, o aumento desses grupos foi impulsionado pelos discursos de ódio e extremistas contra as minorias, amparados pela impunidade.

A CSP-Conlutas defende a necessidade de as Centrais Sindicais, sindicatos, movimentos e organizações políticas tomarem iniciativas coordenadas para organizar a autodefesa dos trabalhadores/as, lideranças, entidades e organizações da nossa classe contra a violência da extrema direita. Diante dos atos anti-democráticos e golpistas, a Central defende também lutar em defesa das liberdades democráticas e do respeito ao resultado das urnas. 

 

Com informações: G1, Revista Fórum

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