Hebe de Bonafini: a histórica líder argentina das Mães da Praça de Maio

Hebe de Bonafini: a histórica líder argentina das Mães da Praça de Maio

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Aos 93 anos, faleceu neste domingo (20), na Argentina, Hebe de Bonafini, presidente do movimento Mães da Praça de Maio. A ativista enfrentava problemas de saúde e havia passado por internações no mês de outubro, mas a causa da morte não foi informada. O governo argentino decretou luto por três dias.

Hebe tornou-se uma das mais famosas ativistas argentinas contra a ditadura e em defesa dos direitos humanos, tendo sido cofundadora das Mães da Praça de Maio, o icônico movimento iniciado em 1977 e que atua até hoje, reunindo mulheres que perderam filhos para a sanguinária ditadura argentina. O regime de exceção vigorou no país de 1976 a 1983 e matou cerca de 30 mil pessoas.

Hebe começou a “caminhar” em 1977, após perder dois filhos. Em 8 de fevereiro daquele ano, seu filho Jorge Omar foi sequestrado pela repressão em La Plata. Dez meses mais tarde, em 6 de dezembro, o mesmo ocorreu com outro filho, Raúl Alfredo.  No ano seguinte, em 25 de maio de 1978, a esposa de Jorge, María Elena Bugnone Cepeda, também foi sequestrada pela ditadura. Os filhos de Hebe nunca foram encontrados.

As manifestações das Mães de Maio surgem no dia 30 de abril de 1977, com 14 mulheres que se reuniram em frente à sede do governo em Buenos Aires, para cobrar informações sobre os filhos desaparecidos. Não pararam de se reunir e protestar desde então, passando a se reunir todas as quintas-feiras no mesmo local, posteriormente realizando passeatas, que ocorrem até hoje.

Com panos brancos amarrados na cabeça, as passeatas históricas tornaram-se símbolos da luta contra a impunidade, por verdade, memória e justiça. Lutando por seus filhos, essas mulheres acabaram se tornando mães de todos lutadores/as por mais de 40 anos desde então.

O grupo de mulheres enfrentou ameaças de morte e algumas foram sequestradas e mortas. “Eles nos prenderam, nos espancaram, viemos com perucas para que não pudessem nos identificar”, disse Bonafini à Reuters em 2007.

As Mães da Praça de Maio participaram e deram apoio a importantes lutas sociais ao longo das últimas décadas. "Nós, da CSP-Conlutas e da Rede Internacional de Solidariedade e Lutas, tivemos a oportunidade de conhecer Hebe e contar com seu apoio por exemplo nas recentes campanhas contra as perseguições de Sebastian Romero e Daniel Ruiz", relembra Herbert Claros, do Setorial Internacional da Central.

Mas, a afinidade política de Hebe com o peronismo e o kichnerismo, contudo, a levaram a posicionamentos controversos e contraditórios com o simbolismo do movimento das Mães de Maio. Em 2006, por exemplo, durante o governo Kichner, Hebe chegou a defender a suspensão das caminhadas de quintas-feiras, alegando que “não havia mais inimigos no poder”.

“Não concordamos com as opções políticas de Bonafini, que se tornaram contraditórias por seus posicionamentos políticos. Mas a determinação e a coragem com que lutou contra a ditadura, a impunidade e em defesa dos direitos humanos, deixou um exemplo que se tornou simbólico para várias gerações e perdura até hoje”, avalia Herbert.

 

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