Desemprego cede, mas informalidade e registros sem carteira seguem recordes

Desemprego cede, mas informalidade e registros sem carteira seguem recordes

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Três de cada 10 desempregados buscam vaga há mais de dois anos. Desemprego é maior entre mulheres e negros

O IBGE divulgou, nesta quinta-feira (17), mais dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) sobre o desemprego no país.

No trimestre encerrado em setembro, o índice nacional de desemprego recuou de 9,3% para 8,7% no terceiro trimestre, tendo registrado recuo em apenas seis estados e estabilidade nas demais 21 unidades da federação.

São 9,4 milhões de trabalhadores fora do mercado de trabalho, dos quais 2,5 milhões procuram por uma vaga há mais de dois anos, o que representa 3 em cada 10 trabalhadores desempregados.

Outro dado da pesquisa revela que cerca de 4,3 milhões, por falta de oportunidade, desistiram da busca e compõem o chamado segmento de “desalentados”.

Mulheres, negros e jovens os mais afetados

Ao analisar os números por segmento se observa a desigualdade histórica no país, por gênero e raça.

Segundo a Pnad, a taxa de desocupação por sexo foi de 6,9% para os homens e 11% para as mulheres. Ou seja, a desocupação das mulheres é 59,4% maior que a dos homens. Enquanto para os homens a taxa continua abaixo do índice nacional (8,7%), para mulheres segue bem acima.

Já a taxa de desemprego por cor ou raça, verificamos que para pessoas brancas, o índice ficou bem abaixo da média nacional (6,8%), enquanto que ficou bem acima para os pretos (11,1%) e pardos (10,0%).

A juventude registra as taxas mais elevadas. Entre jovens com idade de 18 a 24 anos, a taxa de desemprego é de 18%. Entre pessoas com idade de 14 a 17 anos, o desemprego é de 31,7%.

Para os grupos de 25 a 39 anos (7,8%), 40 a 59 anos (5,6%) e o de 60 anos ou mais (3,7%), o desemprego ficou abaixo da taxa nacional (8,7%).

Informalidade e carteira sem registro

Por trás da recuperação do emprego registrada nos últimos meses, principalmente em relação aos anos de pandemia, o que se registra é que a informalidade e empregos sem carteira assinada são recordes.

Segundo a PNAD do terceiro trimestre, a taxa de informalidade foi de 39,4% da população ocupada. As maiores taxas ficaram com Pará (60,5%), Maranhão (59,1%) e Amazonas (57,1%) e as menores, com Santa Catarina (25,9%), Distrito Federal (29,8%) e São Paulo (30,6%).

São considerados “informais”, empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada; empregado doméstico sem carteira de trabalho assinada; empregador sem registro no CNPJ; trabalhador por conta própria sem registro no CNPJ e trabalhador familiar auxiliar.

Já o número de empregados sem carteira assinada no setor privado (13,2 milhões de pessoas) foi o maior da série histórica, iniciada em 2012, apresentando estabilidade no trimestre e elevação de 13,0% (1,5 milhão de pessoas) no ano.

No setor público, o número de trabalhadores sem carteira assinada (3,1 milhões) também chegou ao recorde, crescendo 11,6% (317 mil pessoas) no trimestre e 35,4% (799 mil pessoas) no ano.

Pela revogação integral reforma trabalhista

No último dia 11, completaram-se cinco anos da nefasta Reforma Trabalhista feita por Michel Temer, responsável em grande parte pelo atual cenário de deterioração do mercado de trabalho no país.

Fruto da alteração de mais de 300 artigos da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), houve aumento da informalidade, da queda na renda e precarização das condições de trabalho, com ataques como a liberação da terceirização sem limites; a criação do contrato de trabalho intermitente (pago por hora ou dia trabalhado); a prevalência do negociado sobre o legislado e o fim da ultratividade dos acordos coletivos; entre outros.

O governo de ultradireita de Bolsonaro se encarregou de aprofundar ainda mais os ataques e avançar com redução dos direitos trabalhistas, através de Medidas Provisórias, decretos e desregulamentações. ~

Somente a revogação completa da reforma Trabalhista, assim como a da Previdência, e enterrar de vez a proposta de Reforma Administrativa parada no Congresso, podem mudar o cenário de devastação dos direitos que vivemos.

 

Com informações: IBGE. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

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