Consciência Negra terá luta contra o racismo e pela defesa das liberdades democráticas

Consciência Negra terá luta contra o racismo e pela defesa das liberdades democráticas

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Protestar e lembrar a tradição do Quilombo dos Palmares da luta direta contra o racismo, a opressão e a exploração capitalista. Este é o espírito que marca as mobilizações do Dia da Consciência Negra (20 de novembro) neste ano, que após a derrota de Bolsonaro nas urnas, também tem a missão de superar nas ruas o bolsonarismo de uma elite branca e golpista.

Os atos antiracistas já programados para ocorrer nas principais cidades do país, encaram uma realidade polarizada. Desde o fim das eleições presidenciais, manifestações pedindo a volta da Ditadura Militar e contra o resultado das eleições permanecem em frente aos quartéis e deverão ser denunciadas por negros e negras como parte de sua luta por igualdade de direitos.

“Nós negros e negras da Marcha da Periferia estamos radicalmente contra (manifestações golpistas), e usaremos os métodos da classe trabalhadora, para ocupar as ruas e discutir com o povo negro o melhor caminho político para o país”, afirma o manifesto da Marcha da Periferia, da qual faz parte da CSP-Conlutas.

Além dos gritos por mais democracia, o combate à fome, ao desemprego e à violência policial contra a população periférica também darão o tom aos atos, assim como a bandeira de ‘Reparação, já', frente aos crimes cometidos pelo estado brasileiro contra a população negra. 

Um governo racista

É inegável que em quatro anos de governo, Bolsonaro incentivou práticas racistas. Escondido no discurso de que “todos são iguais no Brasil”, houve o desmonte dos principais órgãos e ações que promoviam a igualdade racial, o que levou o país a ser denunciado na ONU (Organização das Nações Unidas) por racismo estrutural, em 2022.

O comando da Fundação Palmares pelo bolsonarista Sérgio Camargo, a extinção do programa Juventude Viva e a completa estagnação da Secretaria da Igualdade Racial, são apenas alguns exemplos de como Bolsonaro utilizou-se do poder para agravar o fosso da desigualdade racial no país.

Isso também ficou refletido nos números da violência. Em 2020, a taxa de mulheres negras assassinadas tornou-se 66% maior à de não negras. Além disso, o levantamento do Instituto Sou da Paz aponta que dos 30 mil assassinatos por agressão armada em 2019, 78% foram contra pessoas negras.

O Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) registra que o número de óbitos entre crianças e adolescentes negras de 10 a 14 anos é duas vezes maior do que a de não negros, somando 61% e 31%, respectivamente.

Seguir na luta

Apesar dos 134 anos da chamada Abolição da Escravatura, o povo negro no Brasil continua vítima da escravidão. Em diferentes governos, o que se vê é a continuidade das violações de direitos básicos. Por isso, apesar de significar uma vitória, o presidente eleito Lula deverá ser cobrado insistentemente. 

A classe trabalhadora negra e pobre deverá continuar nas ruas exigindo o avanço nas questões de igualdade racial, além de Saúde e Educação públicas, gratuitas e de qualidade, salários dignos, moradia, transporte público acessível à todos, titulação e demarcação de terras quilombolas e indígenas e a anulação das reformas que atacam os trabalhadores.

“Lula será pressionado por diversos partidos que irão compor seu governo para não assumir as pautas da luta racial, o que envolve o direito à terra dos quilombolas, por exemplo. Por isso, devemos seguir na luta e não cair na ilusão que o novo governo irá atender prontamente todas nossas reivindicações”, afirma Julio Condaque, professor e coordenador do Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe.

Protestos

Neste ano, os atos pelo Dia da Consciência Negra irão ocorrer entre os dias 19 e 25 de novembro. Já estão marcados atos em São Paulo, Rio de janeiro, Pernambuco, Bahia e Maranhão. Em breve, atualizaremos em nosso site a agenda de protestos em todo o país. 

A CSP-Conlutas estará na linha de frente das demonstrações antiracistas. O racismo e a exploração são inerentes ao sistema Capitalista e devem ser combatidos com a perspectiva de superação do atual regime econômico em nome de uma sociedade igualitária, justa e socialista.

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