Padre bolsonarista, bate-boca e propostas liberais marcam último debate

Padre bolsonarista, bate-boca e propostas liberais marcam último debate

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O último debate entre alguns candidatos/as à Presidência da República, realizado pela TV Globo, nesta quinta-feira (29), foi marcado por longas quase quatro horas de ataques e muito bate-boca. Os poucos momentos de discussão de propostas destacou medidas ultraliberais como a defesa de privatizações e reformas que atacam os trabalhadores.

Novamente, o debate não contou com a presença de todos os/as presidenciáveis, impossibilitando que a população possa conhecer todos os candidatos/as. Ficaram de fora Vera Lúcia, do PSTU, Sofia Manzano, do PCB, Leonardo Péricles (UP) e José Maria Eymael (DC).

A legislação eleitoral não proíbe a participação de todos, mas ao estabelecer os critérios do debate, a maioria das emissoras e órgãos de imprensa define regras antidemocráticas. Ontem, a Globo definiu a participação dos candidatos apenas de partidos que elegeram ao menos cinco deputados nas eleições anteriores. Assim, participaram Jair Bolsonaro (PL), Lula (PT), Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), Felipe d´Ávilla (Novo), Soraya Thronicke e a figura inusitada de Padre Kelmon (PTB).

 


Presidenciáveis de esquerda foram excluídos novamente do debate

Padre de “festa junina”, candidato cabo eleitoral

Se não houve debate em torno dos programas de governo que, de fato, cada candidato defende, o encontro serviu material farto para os memes nas redes sociais. O destaque ficou para a atuação do candidato que se autodenomina Padre Kelmon.

Assim como no debate realizado pelo SBT/CNN, ficou nítido o papel de Kelmon como uma candidatura laranja a favor de Bolsonaro. Ao longo do debate, ambos trocaram informações e papéis, fizeram “dobradinha” durante perguntas e elogios. Por sua postura, foi denunciado como candidato laranja, cabo eleitoral de Bolsonaro e falso padre.

A candidatura do União Brasil protagonizou alguns dos principais embates com Kelmon. A ex-bolsonarista Soraya questionou o titulo religioso do candidato e o chamou de “padre de festa junina”. Nas redes, de fato, se espalharam fotos do candidato realmente vestido desta forma. Lula também o chamou de “padre fantasiado”.

Kelmon substituiu o ex-deputado do PTB, Roberto Jefferson, preso no caso do Mensalão. Jefferson teve a candidatura barrada pelo TSE e como seu vice, Kelmon assumiu a candidatura. Ele se autodenomina padre da igreja ortodoxa, mas em nota a Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia do Brasil divulgou nota negando o vínculo.

 


Nas redes sociais, padre "fake" bolsonarista vestido em festa junina virou meme

Em suas redes, a candidata Vera comentou a presença de Kelmon, enquanto candidatos de partidos ideológicos são excluídos. “Kelmon é padre de festa junina na quadrilha de Bolsonaro. (...) A presença do Padre Kelmon e a minha exclusão do debate só mostra o quão hipócrita foi a reforma política e a cláusula de barreira. Os partidos de aluguel continuam aí sendo cabo eleitoral, enquanto os partidos ideológicos são empurrados para uma semi-ilegalidade”.

Sofia Manzano também comentou. “A mídia corporativa usa argumentos técnicos para definir quem pode participar (do debate), mas o objetivo real é invisibilzar qualquer proposta que se oponha ao sistema capitalista”.

Corrupção

As acusações de corrupção novamente foram assunto em vários momentos do debate, com Lula e Bolsonaro no centro dos ataques.  Bolsonaro insistiu em chamar Lula de ex-presidiário, falar dos escândalos na Petrobras e fez acusações sem provas sobre o assassinato do ex-prefeito petista Celso Daniel. Lula lembrou o esquema das rachadinhas, os  pedidos de propinas nas negociações da vacina contra a Covid, a compra de 51 imóveis em dinheiro vivo pela família de Bolsonaro, entre outros.

Fake news e propostas neoliberais

O candidato do Novo, Felipe D´Ávilla, também fez dobradinha com Bolsonaro para atacar Lula, e repetiu sua fórmula desgastada de defesa de privatização de tudo que for público. Felipe é genro do empresário Abílio Diniz e dono do maior patrimônio declarado entre os presidenciáveis (fortuna de R$ 25 milhões).

Confrontado com uma pergunta sobre cotas raciais, Felipe fugiu da resposta. Após o debate, ao Jornal da Globo , respondeu  admitiu que é contra uma das principais medidas conquistadas na luta pelos movimentos de combate ao racismo, com o velho e falso discurso de que é a favor de “cotas sociais”.

Mentiras e tentativas de se desvincular de medidas antipopulares também foram outro destaque. Simone Tebet, por exemplo, repetiu a tática de tentar se afastar da história do seu partido o MDB, marcado por corrupção, fisiologismo e adesão a qualquer governo que estiver no poder. Tentou aparecer como defensora do meio ambiente, mas escondeu que faz parte do agronegócio, um dos setores mais responsáveis pelo desmatamento e encarecimento dos alimentos no país.

Bolsonaro, como sempre, em todos os momentos usou a tática das fake news. Mentiu ao falar de sua gestão genocida na pandemia, dos esquemas de corrupção em seu governo e em sua família, das medidas que aprofundaram a fome e a miséria no país ou ainda quando descaradamente disse que fez projetos em defesa da Cultura, reivindicando as leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo, quando na verdade, ele vetou as duas leis de fomento ao setor cultural.

Trabalhadores precisam construir alternativa

Como nos debates anteriores, todos os candidatos se limitaram a defender medidas capitalistas e neoliberais.

Diante do cenário nacional, a CSP-Conlutas tem defendido que a principal tarefa é botar para fora o governo de ultradireita e autoritário de Bolsonaro, mas também é preciso realizar uma grande mudança neste país, com a classe trabalhadora organizada para exigir medidas como o fim do Teto de Gastos (que estrangula o orçamento do país), o não pagamento da Dívida Pública, o fim das privatizações, entre outras, para garantir que suas necessidades possam ser atendidas.

Confira aqui o Programa em Defesa da Classe Trabalhadora elaborado pela CSP-Conlutas para enfrentar a crise social brasileira.

 

 

 

 

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