Quatro em cada dez mulheres já sofreram assédio sexual no transporte público

Quatro em cada dez mulheres já sofreram assédio sexual no transporte público

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Mais uma pesquisa traz dados sobre a opressão e violência machista que recaem sobre as mulheres no Brasil. Levantamento do Instituto Patrícia Galvão e do Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) revela que 45% das mulheres declaram que já tiveram o corpo tocado sem seu consentimento em local público e 32% afirmam ter passado por situação de importunação/assédio sexual no transporte público. 

A importunação sexual está prevista no Código Penal brasileiro, o qual considera crime a prática do ato libidinoso - como apalpar, lamber, tocar, desnudar, masturbar-se ou ejacular em público, dentre outros - na presença de alguém, sem sua autorização e com a intenção de prazer sexual próprio ou de outra pessoa.

Segundo a pesquisa, as mulheres e os homens não heterossexuais declaram mais sofrerem práticas invasivas, importunação, assédio e abuso sexual: 31% das mulheres e 34% dos homens não heterossexuais sofreram tentativa ou abuso sexual; e 32% das mulheres e 20% dos homens não heterossexuais passaram por situação de importunação/assédio sexual no transporte público.

Chama atenção os maiores percentuais de mulheres e homens de 16 a 24 anos e de homens não heterossexuais que relatam terem sido obrigados a fazer sexo quando não queriam e a ter relações sexuais sem preservativo.

A pesquisa Percepções sobre controle, assédio e violência doméstica: vivências e práticas foi realizada por telefone com 1.200 pessoas (800 homens e 400 mulheres), com 16 anos ou mais, entre 21 de julho e 1º de agosto de 2022. A margem de erro é de 3 pontos percentuais. O estudo destaca que a amostra em relação a homens é desproporcional para garantia de leitura do gênero masculino e que, portanto, foi ponderada.

Uma em cada 4 mulheres agredidas declarou que a violência doméstica acontece com frequência, enquanto apenas 1 em cada dez homens afirma sofrer violência da parceira frequentemente.
Ciúme motiva a maioria das agressões, para homens e mulheres na mesma proporção. Mais mulheres (30%) do que homens (10%) apontaram que seu parceiro estava bêbado ou sob efeito de outros entorpecentes ao cometer a violência.

Em outro dado da pesquisa, mais mulheres (34%) do que homens (25%) declaram terem sido obrigadas, após o fim do relacionamento, a bloquear contato, mudar de telefone (18% das mulheres x 8% dos homens) e registrar um boletim de ocorrência (15% das mulheres x 6% dos homens).

Lei Maria da Penha

A maioria dos entrevistados avalia de forma positiva a Lei Maria da Penha, que acaba de completar 16 anos de vigência. Contudo, a pesquisa também revela uma visão crítica e uma certa descrença sobre a efetividade da lei, que podem ser atribuídas a uma sensação de impunidade e também à percepção de que os representantes da polícia e da justiça dão pouca importância para o problema da violência doméstica.

Para 92%, quando o homem descobre que foi denunciado, a mulher corre o risco de sofrer ainda mais violência; 89% acham que os homens que praticam violência doméstica contra a mulher não costumam receber as punições devidas; 89% concordam que homens que agridem as mulheres sabem que isso é crime, mas não acreditam que serão punidos e 76% concordam que a polícia e a Justiça no Brasil tratam a violência contra as mulheres como um assunto pouco importante, uma percepção que é maior entre as mulheres (81%) do que entre os homens (70%).

Confira a íntegra da pesquisa aqui.

Informações: Instituto Patrícia Galvão. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

 

 

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