Entrevista no JN: com pior governo da história, só resta a Bolsonaro mentir

Entrevista no JN: com pior governo da história, só resta a Bolsonaro mentir

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Foram 40 minutos de entrevista no Jornal Nacional nesta segunda-feira (22), primeiro dia da série de entrevistas do jornal com candidatos à Presidência do país. Com o pior governo da história e com um “telhado de vidro” sem tamanho, Bolsonaro usou a tática de repetir as fake news que costuma disseminar para responder às perguntas feitas pelos jornalistas William Bonner e Renata Vasconcelos.

Em temas como pandemia, ataques ao processo eleitoral brasileiro, meio ambiente e corrupção no governo, Bolsonaro mentiu descaradamente, ora negando medidas que tomou ou declarações que fez (que podem inclusive ser comprovadas em vídeos), ora dando informações imprecisas.

Os próprios jornalistas desmentiram e confrontaram Bolsonaro ao longo da entrevista. Sites de checagem de notícias também analisaram as informações dadas por Bolsonaro. O Estadão Verifica apurou, pelo menos, 13 respostas mentirosas. O site Aos Fatos também desmentiu várias respostas do presidente de ultradireita.

Panelaços aos gritos de Fora Bolsonaro foram registrados em vários estados. 

Política genocida na pandemia

Confrontado com fatos notórios durante a pandemia que matou quase 700 mil brasileiros/as e teve episódios de terror como a falta de oxigênio em Manaus (AM), Bolsonaro tentou se esquivar da responsabilidade e, ao mesmo tempo, teve a cara de pau de defender posições como o uso de medicamentos como a cloroquina, comprovadamente ineficaz contra a Covid-19.

“O senhor desestimulou a vacinação (...) chegou a dizer que quem tomasse a vacina poderia virar jacaré. O senhor associou a vacinação ao vírus da AIDS. E mais: quanto às vacinas, a Pfizer esperou 93 dias por uma resposta quando a empresa procurou o governo pra tratar de vacina. A CoronaVac, o senhor desautorizou o ministro e chegou a suspender a compra da vacina”, perguntou Renata Vasconcelos.

Acuado, Bolsonaro deu número de compra de vacinas, o que ocorreu somente após depois de meses de boicote à compra de imunizantes, como da Pfizer, quando centenas de milhares de brasileiros há haviam morrido.

Bolsonaro negou que tenha suspendido alguma compra. Mentira. No dia 20 de outubro de 2020, o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello assinou um protocolo de intenção de compra de 46 milhões de doses da CoronaVac. No dia seguinte pela manhã, no entanto, Bolsonaro negou em suas redes sociais que o governo federal negociaria o imunizante.

Ameaça golpista

Ainda no início da entrevista, Bonner questionou Bolsonaro sobre os ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal), às urnas eletrônicas e ao processo eleitoral brasileiro. A tática usada por Bolsonaro foi a mesma. Negou, por exemplo, que tenha xingado ministros (o que vídeos também desmentem) e, usando uma manobra, disse que “irá respeitar o resultado eleitoral, desde que sejam limpas e transparentes”, ao mesmo tempo em que repetiu as acusações sem provas contra as eleições. Ou seja, a ameaça de autogolpe segue em seus planos autoritários.

Corrupção

Outro tema sensível a Bolsonaro foi sobre corrupção e a relação com o Centrão, assuntos em que seu governo mostrou, na prática, o contrário do discurso feito antes de ser eleito.

“Em 2018, o senhor chegou a dizer até com propriedade que governos anteriores tinham feito alianças com o com o centrão, mas o senhor disse criticamente que esses governos anteriores tinham feito nomeações com interesse político partidário e que isso tinha tudo pra dar errado. O senhor chegou até concluir assim: "por isso eu não integro o centrão". Mas recentemente há dias o senhor com muita naturalidade disse assim: "eu sempre fui do centrão, eu vim no centrão". Aí eu eu tenho que perguntar ao candidato, em nome da clareza pros eleitores em qual dessas duas afirmações o eleitor deve acreditar? O senhor sempre foi do centrão ou o senhor, como disse em 2018 disse, eu nunca fui do centrão por esse motivo?”, perguntou Bonner.

“No meu tempo não tinha Centrão”, respondeu Bolsonaro. Chegou a dizer na maior cara de pau que governar sem o centrão seria agir como "ditador". O site Aos Fatos desmente Bolsonaro, lembrando que o presidente foi eleito para a Câmara em 1990, quando já existia um bloco parlamentar chamado de “Centrão”, formado na Assembleia Nacional Constituinte de 1987–1988, termo já usado inclusive pelos jornais da época. Esse bloco contava com parlamentares de diversos partidos, entre eles o PDC (Partido Democrata Cristão), ao qual Bolsonaro era filiado.

O próprio presidente afirmou, em julho de 2021, em entrevista à rádio Banda B, de Curitiba, que integrava o bloco. “Eu sou do Centrão. Eu fui do PP metade do meu tempo. Fui do PTB, fui do então PFL”, disse. Na mesma entrevista, Bolsonaro defendeu o grupo e disse que as pessoas começaram a tratar o “Centrão como algo pejorativo, algo danoso à nação. Não tem nada a ver, eu nasci de lá”.

O escândalo de corrupção no MEC, no qual o ex-ministro Milton Ribeiro chegou a ser preso, também deixou Bolsonaro contra a parede.

Ataques aos direitos trabalhistas e ao meio ambiente

Ao ser perguntado sobre economia, Bolsonaro defendeu medidas do seu governo como a Reforma da Previdência, a Lei da Liberdade Econômica, a desregulamentação das NRs (normas regulamentadoras), todas medidas que reduziram ou extinguiram os direitos dos trabalhadores e precarizaram o mercado de trabalho no país, marcado atualmente por uma informalidade recorde.

Em relação aos questionamentos sobre a política para o meio ambiente, Bolsonaro repetiu ataques ao Ibama por combater o desmatamento da Amazônia e criticou medidas como a destruição de maquinários apreendidos em operações criminosas, determinadas pela legislação brasileira.

Confira aqui a checagem feita pelo site Aos Fatos.

Mentiroso, autoritário, corrupto, destruidor do meio ambiente, capacho de grandes empresários, banqueiros e do agronegócio e inimigo dos trabalhadores e mais pobres. Não há fake news que possam esconder que Bolsonaro e seu governo de ultradireita é o pior da história.

Derrotá-lo e construir uma alternativa classista para que os trabalhadores decidam e controlem os rumos do país para atender suas necessidades por empregos, salários, direitos, moradia, saúde, educação, entre outras, é uma tarefa urgente. Fora Bolsonaro, Mourão e toda a ultradireita!

Com informações: site Aos Fatos e Estadão

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