Corrupção do governo Bolsonaro: operação da PF expõe esquema na Codevasf

Corrupção do governo Bolsonaro: operação da PF expõe esquema na Codevasf

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Uma mala com R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo e artigos de luxo foram as apreensões feitas pela Polícia Federal, nesta quarta-feira (20), na casa do empresário Eduardo José Barros da Costa, em São Luis (MA). Um dos principais alvos da operação da PF, o empresário teve a prisão temporária decretada.

Denominada “Odoacro”, a operação foi realizada em cinco cidades maranhenses, investiga desvios de recursos da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vale do São Francisco e do Parnaíba), estatal entregue por Bolsonaro ao comando do Centrão em troca de apoio político.

Além da prisão de Costa, na capital São Luís, a PF cumpriu mais 16 mandados de busca. Em nota, a PF informou que a finalidade da investigação é “de desarticular associação criminosa estruturada para promover fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, envolvendo verbas federais”.

No esquema criminoso, as investigações apontam que os envolvidos criam empresas de fachada e simulam competições durante as licitações, mas com o real propósito de fazer com que a empresa vencedora seja sempre a de Costa, também conhecido como Eduardo Imperador ou Eduardo DP, a Construservice.

O empresário atuava com seis empresas de fachada e seis laranjas para colocar em prática o esquema criminoso.

Comando do Centrão

O comando da Codesvaf, com a qual a Construservice passou a ter relação privilegiada, foi entregue por Bolsonaro aos partidos do Centrão, conjunto de partidos que lhe dão apoio no Congresso, que indicam cargos para a estatal.

O mesmo esquema já havia sido verificado em 2015, no município maranhense de Dom Pedro, em uma operação da policia civil. Mas, a partir de 2019, é que a empresa ganha protagonismo sob o governo de Bolsonaro. Até 2019, a empresa nunca tinha participado de contratos com a União, mas a partir de então passou a abocanhar fatias cada vez maiores do Orçamento.

Segundo o jornal O Globo, em 2019, o Executivo empenhou para a empresa R$ 32 milhões, valor que caiu a R$ 16 milhões em 2020, mas subiu a R$ 92 milhões no ano passado. Estima-se que neste ano os números sejam ainda mais generosos. Os contratos firmados em seis estados chegam a quase R$ 400 milhões.

Bolsonaro: um governo autoritário e corrupto

Reportagens do jornal Folha de S.Paulo têm denunciado ainda que a estatal passou a receber grande parte das emendas de relator, o chamado “orçamento secreto”. Nos últimos dois anos, foram cerca de R$ 16 bilhões, mecanismo que tem sido usado pelo governo para comprar apoio no Congresso e que, sem qualquer controle e transparência, acaba para uso políticos em redutos eleitorais e esquemas de corrupção.

A nova operação da PF, expondo o esquema criminoso na Codevasf, se soma a vários outros escândalos no governo de Bolsonaro, como a corrupção no MEC (Ministério da Educação), o bolsolão do lixo, os ônibus escolares superfaturados, a cobrança de propina nas negociações das vacinas contra a Covid-19, ou ainda os esquemas de laranjas e rachadinhas nos gabinetes de Bolsonaro e dos filhos. Esquemas que comprovam que além de autoritário e genocida, esse governo também está afundado na corrupção. Fora Bolsonaro e Mourão, já!

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