Bolsolão do Lixo: o novo escândalo de corrupção no governo

Bolsolão do Lixo: o novo escândalo de corrupção no governo

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Corrupção, clientelismo e mal uso de verba pública. Estas palavras ajudam a explicar o mais novo escândalo protagonizado por Bolsonaro e seus aliados do Centrão. O Bolsolão do lixo, como foi apelidado, cheira mal e deixa exemplos de como os velhos mecanismos do toma lá da cá continuam a roubar o dinheiro do povo. 

Desde o domingo (22), o jornal Estadão tem publicado uma série de matérias que apontam irregularidades financeiras por parte do governo federal na compra de caminhões compactadores de lixo. Foram analisados 1,2 mil documentos emitidos no período de 2019 a 2022. 

É de se estranhar que nos últimos três anos e meio, o orçamento secreto para compras dos equipamentos tenha aumentado 833%, passando de R$ 24 milhões para R$ 200,2 milhões. Através das chamadas “medidas de relator”, a quantia foi arrancada dos cofres da união sem nenhuma transparência, ou qualquer assinatura do responsável.

A história ainda fica pior. Todo esse montante foi despejado em contas de empresas que dão todos os sinais de serem fantasmas. 

Uma delas é a Globalcenter Mercantil Eireli cujo endereço de funcionamento é uma casa abandonada em Goiânia. Na mesma cidade, a Distribuição e Logística Eireli tem como dono um beneficiário do Auxílio Emergencial, destinado aqueles que perderam a renda durante a pandemia. 

Juntos, os dois empreendimentos venceram licitações no valor de R$ 21 milhões. Também assusta a forma que os contratos foram fechados. Em um deles, a equipe de Bolsonaro aceita pagar R$ 86 mil a mais por um mesmo caminhão adquirido com preço inferior anteriormente. Em outro caso, a licitação foi encerrada em apenas 88 segundos, após a abertura. 

Mas quem se beneficia?

O dinheiro sai de estatais, como a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba) entregues por Bolsonaro aos aliados no Centrão. O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (Progressistas), por exemplo, destinou R$ 240 mil para a compra de um caminhão de lixo. Agora, vejamos os envolvidos. 

A empresa (Grupo Mônaco) é de uma amiga que freqüenta o seu gabinete (Carla Denardin). A estatal que fez o pregão é comandada por um apadrinhado dele (Marcelo Moreira Pinto, presidente da Codevasf), a prefeitura que efetuou a compra é de uma correligionária (Carmen Gean, prefeita de Brasileira, cidade a 180km de Teresina (PI).

Não é difícil entender a lógica que move as ações. Modernos caminhões de lixo superfaturados são as grandes atrações em eventos eleitoreiros. A maioria ocorre em pequenas cidades, onde as lideranças locais chefiadas pelo Centrão também aproveitam para fazer campanha para a reeleição de Bolsonaro.

Até mesmo Fernando Collor de Mello já esteve presente em uma dessas atividades. O ex-presidente famoso por confiscar dinheiro do povo divulgou foto ao lado do caminhão de lixo na cidade de Minador do Negrão, com pouco mais de 5 mil habitantes, em Alagoas.

Orçamento secreto

A situação descrita só é possível porque, desde 2020, os deputados e senadores podem onde os recursos do Orçamento destinados a emendas parlamentares devem ser utilizados. Os acordos ocorrem de forma sigilosa, sem transparência, sem controle e sem acompanhamento das supostas obras. Por isso o nome de orçamento secreto. 

A iniciativa foi do Centrão, liderado por Arthur Lira na Câmara, e apoiada fortemente por Bolsonaro. Em troca dos recursos, os deputados bolsonaristas não deixaram avançar nenhum pedido de impeachment contra o presidente. O mesmo esquema descrito aqui é encontrado também em outras denúncias, como a aquisição de asfalto superfaturado e da construção de escolas de mentira.

O novo escândalo comprova que o governo de ultradireita de Bolsonaro, além de autoritário e inimigo dos trabalhadores e setores oprimidos, é também corrupto! É por isso que a CSP-Conlutas defende a luta para derrubar o presidente hoje e nas ruas, sem qualquer ilusão nas eleições. 

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