Bolsonaro nomeia outro privatista, Adriano Pires, que irá manter PPI e seguir privatização da Petrobras

Bolsonaro nomeia outro privatista, Adriano Pires, que irá manter PPI e seguir privatização da Petrobras

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Por: Ana Cristina Silva

A Petrobrás informou no final da tarde de segunda-feira (28), em nota, que recebeu ofício do Ministério de Minas e Energia (MME) e que, em data próxima, vai deliberar sobre a indicação de Adriano Pires de Andrade para a presidência da empresa.

Segundo o comunicado, a ratificação do nome do indicado de Bolsonaro se dará na assembleia geral ordinária – agendada para o dia 13 de abril –que também vai avaliar as duas substituições para a eleição de membros do conselho administrativo.

 

Mais um vendilhão do templo

Adriano Pires, que é economista, é atualmente consultor “informal” do MME, onde dá pitacos sobre como entregar os recursos energéticos do Brasil, sendo diretor-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), uma think tank que presta assessoria para concorrentes da Petrobrás.

Adriano Pires já foi superintendente de Abastecimento e superintendente de Importação e Exportação de Petróleo da Agência Nacional do Petróleo (ANP), sendo um ferrenho defensor da PPI.

“Minha preocupação não é a gasolina a R$ 12, o litro, minha preocupação hoje é o desabastecimento” – disse em entrevista ao defender a atual política de preços do governo Bolsonaro aplicada na Petrobrás, que assalta o bolso dos brasileiros.

 

Um general com padrinho forte

Sobre o general Silva e Luna, presidente que deixará o cargo, sabe-se que cumpriu mais uma missão em usufruir de “boquinhas” em estatais, sempre indicado por seu amigo Bolsonaro.

Entre os anos de 2019 e 2020, nomeado para a presidência da Itaipu Binacional, logo no início do governo, o general Joaquim Silva e Luna e seus assessores receberam indenizações a título de direitos retirados dos trabalhadores, sob alegação de retirada de “expectativa de futuro”, quando ocupavam cargos de forma passageira, sem perspectiva de carreira na empresa. Luna no total recebeu algo em torno de R$ 370 mil, por apenas dois anos à frente da binacional.

No ano de 2019, Itaipu, conforme acordo coletivo celebrado com seus empregados, se comprometeu a pagar uma indenização por redução de direitos como auxílio-funeral e reajuste automático do vale-alimentação, não incorporável ao salário, correspondente a 2,8 salários. O acordo também restringiu acesso ao seguro de vida para trabalhadores que vinham a se aposentar por invalidez. Neste primeiro ano, os militares assessores de Luna, embolsaram em média R$150 mil. Só o general, segundo uma publicação da Folha de São Paulo, de 12 de janeiro de 2020, recebeu a bagatela de R$ 221,2 mil, tendo um salário de R$ 79 mil, durante o período que comandou Itaipu.

Em sua saideira da Petrobrás, Luna e Silva deve ganhar bonificação milionária de quase R$ 1,6 milhão, a título de bônus este ano, por conta da distribuição de R$ 13,1 milhões à diretoria da companhia dentro do Plano de Prêmio por Performance (PPP), que será confirmada na assembleia de 13 de abril. São nove membros na diretoria e a empresa não informa exatamente quanto será embolsado por Luna e Silva.

Tudo isso, garantido pelo PPI – Preço de Paridade de Importação e privatizações a balde, nos últimos anos, proporcionaram um lucro gigante de R$ 106,7 bilhões em 2021, que são distribuídos em dividendos aos acionistas e na forma de bônus para os chefões de coturno da empresa. Quem sabe Bolsonaro não indica o general para outra “boquinha”, até o final de seu governo.

 

Troca e jogatina da bolsa de valores

Enquanto isso, segue o plano entreguista de Bolsonaro e Paulo Guedes de ataques à Petrobrás e ao povo brasileiro, promovendo a sangria de recursos da empresa para os bolsos de acionistas e especuladores da empresa.

Após o anúncio da troca da direção da Petrobrás, os papéis da empresa tiveram uma desvalorização de 3% na Bolsa de Valores de São Paulo, certamente porque os especuladores vão obter ganhos dentro de dois dias, quando as ações valorizarem novamente, e assim segue a jogatina. Os acionistas estrangeiros detêm 40% das ações da Petrobrás, embolsando lucros e dividendos.

Resta saber se vai aparecer mais um “Claudio Costa” na Petrobrás, por ter feito uso de informações privilegiadas para obter ganhos no mercado financeiro, após o anúncio de mais uma troca de presidente da companhia.

Confira a Nota Oficial do Sindipetro-RJ, filiado à FNP (Federação Nacional dos Petroleiros), sobre a troca na presidência da Petrobrás.

 

Informações: Sindipetro-RJ

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