Todo apoio aos trabalhadores da SutNotimex em greve há 2 anos contra demissões e ataques

Todo apoio aos trabalhadores da SutNotimex em greve há 2 anos contra demissões e ataques

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Por: Sâmia Teixeira

Nesta segunda-feira (21), as trabalhadoras e os trabalhadores grevistas do SutNotimex (Sindicato Único dos Trabalhadores da Agência Estatal Mexicana de Notícias Notimex) completam 2 anos de mobilização.
 
A categoria, maior parte formada por jornalistas (dos quais 80% são mulheres), tem dignamente se mantido nas ruas, sem renda e enfrentando a pandemia de Covid-19 sob condições precárias. Além disso, enfrentam assédio, agressões e difamações por parte da própria administração da Notimex.
 
Dia de Solidariedade
A CSP-Conlutas, em conformidade com a defesa da luta internacionalista, independente e de classe, expressa apoio à luta das trabalhadoras e trabalhadores do SutNotimex, que enfrentam ameaças e perseguição, em ambiente violento e opressor, sob um governo que não se mostra disposto a respeitar a liberdade de organização e de luta sindical.
 

 
Como forma de manifestar apoio à greve, uma delegação da CSP-Conlutas esteve presente nesta segunda-feira (21) em frente ao consulado mexicano em São Paulo, para entregar uma moção de apoio às autoridades.
 
Assim, nos somamos ao chamado urgente que a entidade faz ao governo mexicano, para que reabra o diálogo e a negociação a fim de chegar a uma solução para este conflito trabalhista.
 
Confira a mensagem de solidariedade do integrante do Setorial Internacional da CSP-Conlutas, Fabio Bosco:
 


 
Esperamos que assim como ocorreu na exitosa eleição do SINTTIA na planta da GM Silao no México, a categoria de Notimex encontre liberdade de organização independente dos governos e dos patrões.
 
Consideramos a importância de que, nesta data e no curso desta mobilização, o caso seja amplamente divulgado entre as organizações no Brasil e as de outros países, com o objetivo de fortalecer a solidariedade em defesa da categoria em luta.
 

 
Em 21 de fevereiro de 2020, trabalhadoras e trabalhadores da agência de notícias estatal mexicana, a Notimex, deram início a uma greve em protesto contra violações do Acordo Coletivo de Trabalho que levaram a demissões injustificadas, falta de revisão contratual e salarial.
 
Perto de completar dois anos de mobilização intensa, a greve na Notimex se tornou a mais longa da história do México realizada por um órgão público.
 
A luta desta categoria merece além do apoio pelas demandas econômicas atenção por outros motivos: a greve começou em meio à pandemia da covid-19, deixando inúmeros desempregados em uma situação delicada de crise sanitária, e ocorre em um dos países mais perigosos para o exercício da profissão. Somente em 2022, seis assassinatos e duas tentativas frustradas contra a vida de trabalhadores da categoria foram registrados. Maior parte dos profissionais mortos divulgou casos de corrupção envolvendo políticos.
 
Perseguição e recorte de gênero
Nesta longa mobilização da SutNotimex, cerca de 80% dos grevistas são mulheres e jornalistas. Uma dessas mulheres foi colocada como moeda de troca nas negociações com a empresa. Em julho de 2021, o porta-voz da Presidência, Jesús Ramírez, declarou o seguinte: A greve será resolvida imediatamente e com todos os direitos dos trabalhadores garantidos em troca da secretária geral da SutNotimex, Adriana Urrea, que deve ser retirada do posto representativo.
 
No entanto, a proposta foi rejeitada pelos grevistas, que exigiram respeito à liberdade de associação e definição representativa. Com essa resposta do movimento, o governo encerrou o diálogo e avançou com uma ação legal contra a liderança Adriana Urrea. A jornalista sofreu queixa administrativa e criminal por apropriação indevida de recursos, por uso ilegal do serviço público, a fim de colocá-la na cadeia e impedir que o movimento continuasse. Até agora, de três casos abertos, dois foram arquivados em favor da jornalista e a mobilização tem mais de 20 decisões ou ordens de autoridades emitidas contra as declarações do diretor da Notimex, favoráveis aos grevistas.
 
O movimento mantém um acampamento, também organizado majoritariamente por mulheres, que se dividem em tarefas dia e noite em defesa da luta.
 
Obrador viola direitos dos trabalhadores
Adriana Urrea denuncia que "ao contrário do discurso presidencial de respeito e defesa dos direitos dos trabalhadores, hoje o México enfrenta uma crise trabalhista". E se o Estado intervém nos acordos trabalhistas mesmo em empresas privadas, como relatamos recentemente durante o processo de lutas e eleições na GM Silao, assim ocorre, com ainda mais abuso e espaço, dentro das agências governamentais.
 
O diretor da Notimex, Sanjuana Martínez, que foi nomeado para o cargo pelo presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador, e aprovado pelo Senado da República, viola repetidamente os direitos dos trabalhadores, considerando a greve na agência como ilegal, ignora a representação sindical e segue em campanha difamatória, criminalizando o movimento.
 
Os grevistas denunciam ainda que neste conflito não somente as leis mexicanas foram violadas, mas também acordos internacionais assinados pelo governo mexicano com a OIT (Organização Internacional do Trabalho), assim como acordos comerciais como o capítulo trabalhista do Acordo de Livre Comércio com os Estados Unidos e o Canadá.
 
Obrador age de maneira criminosa, atacando direitos de trabalhadores de um setor já vulnerável a todo tipo de violência.
 
Entrevista 
Nós da CSP-Conlutas e da Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas temos expressado apoio à greve de jornalistas da Notimex, empresa estatal mexicana de comunicação. Em uma entrevista para a CSP-Conlutas e a Rede Internacional, Adriana Urrea explica mais detalhadamente a situação das trabalhadoras e trabalhadores da agência.
 
 

 


 
 
 
 
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"Um ponto característico que facilita a compreensão sobre o funcionamento do sindicalismo mexicano é o vínculo forte com o Estado, que historicamente favoreceu partidos, sendo as entidades sindicais subordinadas aos interesses de posição política ou de corrida eleitoral, totalmente limitados pelas estruturas institucionais, que mantém os trabalhadores mexicanos numa posição de subordinação ao governo mexicano e aos empregadores."

 

 

 

 


"Esse processo é muito importante e pode se espalhar por outras empresas. Os sindicatos independentes ainda são minoria no México. A partir da rebelião da GM Silao uma mudança significativa poderá se ampliar pelo país."
 
 

 

 

 

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