Caso Daniel Alves: a certeza da impunidade do homem burguês

Caso Daniel Alves: a certeza da impunidade do homem burguês

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Crimes sexuais praticados por homens contra mulheres devem ser exemplarmente punidos

Mais um caso revoltante de violência sexual praticada por jogadores contra mulheres tomou as manchetes dos jornais no mundo inteiro nos últimos dias. 

Acusado de estupro, o ex-lateral direito do Barcelona, Daniel Alves, é a bola da vez.

O jogador segue preso preventivamente desde o dia 10 de Janeiro em Barcelona, na Catalunha, após a denúncia de uma espanhola de 23 anos que relatou ter sido agredida e forçada a praticar sexo com o acusado no banheiro de uma famosa boate no centro de Barcelona.

O crime ocorreu em 30 de dezembro e a queixa foi prestada no dia 2 de janeiro, após depoimento, exames clínicos da jovem e verificação de gravações internas da casa noturna. Nestes registros em vídeo, foi possível ver a mulher chorando logo após sair do banheiro, onde esteve por cerca de 14 minutos sofrendo agressão e estupro.

Todas as provas colhidas pela justiça do governo da Catalunha se mostraram contundentes para a decretação da prisão.

Enquanto o jogador apresentou depoimentos conflitantes e diferentes, a vítima relatou com consistência o ocorrido em todos os momentos de testemunho. Além disso, abriu mão de qualquer indenização financeira, pedindo que apenas a justiça seja feita.

Por considerar risco à integridade física de Daniel Alves, na segunda-feira (23) foi feita a transferência do jogador, do Brians 1 para o Brians 2, presídio com menos detentos e celas individuais ou para poucos presos. 

Chega de impunidade!

Daniel Alves não é o único caso que envolve violência sexual com jogadores de futebol. Falando especificamente sobre brasileiros, temos os casos de Neymar, Robinho e o técnico Cuca, por exemplo.

Para Marcela Azevedo, do Setorial de Mulheres da CSP-Conlutas, os inúmeros casos que não puniram os abusadores servem como salvaguarda para quem comete este tipo de crime.

"Infelizmente, temos que nos manifestar acerca de mais um caso absurdo de violência sexual. A naturalização e impunidade de casos como esse, no Brasil, faz com que nossos jogadores se sintam acima da lei, aqui e lá fora”.

Robinho é, talvez, um dos casos que melhor representa esse cenário. Foragido no Brasil, ele foi condenado pela justiça italiana e desfruta da falta de acordo entre os governos italiano e brasileira, que impede que sua extradição seja executada para que cumpra a pena.

Conforme já publicado pela CSP-Conlutas, segundo o Ministério Público italiano, Robinho e outros cinco brasileiros, estupraram repetidas vezes uma jovem albanesa, de 23 anos, em uma casa noturna na cidade de Milão, em 2013.

Em áudios levantados pela acusação, o jogador afirmou que a vítima estava inconsciente e embriagada. Mesmo assim, ela foi levada pelo grupo ao camarim do estabelecimento onde ocorreu o crime.

Robinho chegou a dizer a um amigo: "Estou rindo porque não estou nem aí, a mulher estava completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu".

Na ligação o amigo do ex-jogador afirma que o viu colocando o pênis dentro da boca da vítima. Robinho respondeu: “Isso não significa transar”.

Além de Robinho, há casos semelhantes que envolveram o português Cristiano Ronaldo, o franco-argelino Karim Benzema, e os franceses Ribèry, Sydney Govou, Hatem Ben Harfa. Estes são apenas alguns exemplos de casos de violência contra mulheres. Aqueles que tiveram mais repercussão no mundo do futebol.

Todos eles foram poupados da condenação [com exceção de Robinho, que segue beneficiado pelo tratado de cooperação judiciária entre Brasil e Itália], o que coloca, muito provavelmente, todas as vítimas em um lugar de vulnerabilidade por uma segunda vez.

Além disso, em todos os casos o crime aconteceu em situações de submissão das mulheres, em ambientes de luxo, regados a muita pompa de riqueza e superioridade machista.

Por isso, Marcela defende que o caso de Daniel Alves receba uma “punição exemplar, e que lutemos para que aqui possamos também avançar na postura do judiciário, que não tenhamos mais Mari Ferrer e que a burguesia pague por seus crimes".

Basta de estupro e impunidade! Basta de violência contra as mulheres!

 

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