Lojas Americanas: escândalo envolve rombo de R$ 40 bilhões

Lojas Americanas: escândalo envolve rombo de R$ 40 bilhões

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O escandaloso caso da Americanas que envolve um rombo de R4 40 bilhões e incosistências nas justificativas para erros contábeis

O tema, pauta da imprensa há pelo menos dez dias, envolve uma fraude financeira de cerca de R$ 43 bilhões na gigante do mercado de varejo no Brasil, a Lojas Americanas.

O valor é referente à omissão de dívidas da empresa em seus balancetes, que inicialmente foi divulgado em R$ 20 bilhões e denominado de "inconsistência financeira".

A fraude vinha ocorrendo há pelo menos dez anos. Os protagonistas são nomes considerados dos mais conceituados do mercado: Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, considerados os homens mais ricos do Brasil. Além desses, estão envolvidos os principais acionistas da ImBev (maior cervejaria do mundo), que atualmente possuem cerca de 30% das ações das Americanas.

Na quinta-feira (19), a 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro aceitou o pedido de recuperação judicial feito pela varejista, o que a permitiu pedir o “prazo de blindagem”, ou seja a suspensão de todas as suas dívidas no período de 180 dias em um universo de pelo menos 16,3 mil credores.

Inconsistência financeira é rombo de R4 43 bi

O que a empresa divulgou como descoberta de “inconsistências em lançamentos contábeis” em seus balanços financeiros no valor de R$ 20 bilhões implicaria neste rombo de R$ 43 bilhões.

A publicização do fato levou o presidente da rede, Sergio Rial, deixar o cargo em menos 10 dias depois de ser empossado, explicando que aqueles valores não estavam registrados de forma apropriada ao longo dos últimos anos.

O caso circula diariamente na mídia desde então. Segundo especialistas, uma triangulação entre fornecedores, a varejista e instituições financeiras são os atores do imbróglio por meio de uma linha de crédito chamada de “risco sacado”.

Nesta operação, o fornecedor pede para tomar crédito se dirigindo diretamente ao banco e oferece as notas fiscais que tem a receber em troca de uma antecipação da instituição financeira desse pagamento; a outra maneira é a empresa compradora como tomadora de crédito, que pede ao banco um prolongamento da dívida, ou seja o banco quita o contrato com o fornecedor em nome da companhia — que, por sua vez, passa a dever a quantia para o banco, com juros e prazo maior de pagamento.

Segundo informa a midia, até onde se sabe, foi o que aconteceu no caso da Americanas. Mas ao pedir prolongamento de dívidas, não incorporou os juros em seus balancetes e não reconheceu tais dívidas de uma forma padrão, aplicando cada uma de uma forma diferente. Tudo indica que aí estariam os "erros".

Por que pulou de R$ 20 bilhões para R$ 43 bilhões a dívida? Segundo os especialistas, em matéria publicada em O Globo, os R$ 20 bilhões representam a soma da dívida que a empresa já havia divulgado no balanço do terceiro trimestre de 2022, contudo somando-se o total das “inconsistências contábeis” encontradas recentemente, o valor totaliza R$ 43 bilhões, o que sifinfica que este é o valor que varejista considera deve às instituições financeiras.

Fraude e má fé

O caso Americanas ainda está em apuração pela CMV (Comissão de Valores Mobiliários) com sete processos administrativos já abertos.

Ao não reportar em seus ablancetes os juros devidos pela empresa aos bancos, o lucro sempre aparecia maior do que eram na realidade, provocando maior valorização comercial da varejista no mercado. Uma valorização irreeal.

Agora, com essa diferença entrando no débito do patrimônio líquido há um patrimônio negativo em que o valor da dívida é maior que o patrimônio.

Conforme os processos administrativos em andamento a empresa está sendo investigada por diversos tipos de fraudes: irregularidades envolvendo informações contábeis; irregularidades na divulgação de notícias, fatos relevantes e comunicados; irregularidades nas negociações com ativos de emissão da companhia; denúncias recebidas pelos canais de atendimento da CVM; conduta da companhia, acionistas de referência e administradores; atuação de intermediários no processo de ofertas públicas envolvendo ativos da companhia; atuação das agências de classificação de risco de crédito em relação à Americanas.

As possibilidades de fraudes e má fé são muitas e prováveis.

A CVM disse estar empenha nas investigações e responsabilizações se necessário. Também informou ter o apoio da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, contato com a Advocacia-Geral da União, notadamente a PRF2 (Procuradoria Regional Federal da 2ª Região).

Cara de pau

Com a conquista das regras da recuperação judicial, a Americanas afirmou que seguirá operando normalmente para resolução da situação da melhor forma. É muita cara de pau depois do estrago já feito.

Além disso, os bilionários brasileiros envolvidos com o caso só reafirmaram como atuam no mercado, pois não é a primeira vez que se envolvem em casos escandalosos de empresas no Brasil. São as facetas capitalistas.

A cara de pau é tanta que em comunicado a empresa pede o engajamento dos colaboradores [diga-se empregados] e fornecedores. "Através deste comunicado, pedimos o engajamento de todos os colaboradores nesta nova fase e principalmente dos fornecedores com quem temos relações históricas. A história da Americanas segue com determinação rumo a uma nova fase, com o compromisso com a sociedade e disposta a construir soluções que possam vir atender aos credores da empresa", consta da nota divulgada.

“Semideuses” do capitalismo

Considerados como “semideuses” do mercado no Brasil, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, além de mais ricos no país carregam em sua trajetória escândalos de fraudes e corrupção. Parece que o mercado teima em esquecer, mas foram muitos com o que estão mencionados em matéria baixo publicada pela Uol:

1998: o banco Garantia, criado por eles nos anos 1970 com uma "gestão ousada", esteve perto da falência. Antes do fracasso, foi vendido ao Credit Suisse First Boston 2014: a Cosan, que adquiriu a ALL (América Latina Logística), afirmou ter encontrado a malha ferroviária da companhia em frangalhos e práticas fraudulentas para inflar resultados. A percepção era que o grupo, que havia deixado o controle da ALL havia 10 anos, mantivera um estilo de gestão ao qual são atribuídos muitos desses escândalos

2021: O trio teve de fazer um acordo com a SEC, equivalente americana à CVM (Comissão de Valores Imobiliários), para encerrar uma investigação sobre má-conduta contábil na Kraft Heinz entre 2015 e 2018. A multa paga foi de US$ 62 milhões.

Ainda em 2021, a Stone, "unicórnio" (startup que vale mais de US$ 1 bilhão) da qual o grupo detém 4% das ações, teve problemas enormes de concessão de crédito, por "erros de experiência com recebíveis", segundo o CEO da empresa. Naquele ano, a fintech perdeu 80% de valor de mercado.”

A rapina das riquezas: corrupção, manobras fiscais e superexploração

Na fortuna do famoso trio estão a Ambev, Lojas Americanas, a 3G que abarca centenas de empresas em setores como imobiliários, educação, financeiro e outras empresas.

Além das trapaças financeiras, são milhões de trabalhadoras e trabalhadores explorados em milhões de horas de trabalho, baixos salários e direitos rebaixados, ou seja trabalho precarizado em muitas dessas frentes, acrescentado de inúmeros casos de assédio moral nos locais de trabalho.

Para se ter uma ideia, a Americanas S.A. teve R$ 25,6 bilhões de receita bruta em 2021 e apenas R$ 1 bilhão desse montante, 3,92%, foi utilizado na remuneração dos trabalhadores da empresa.

A extração de lucros extraordinários é um somatório dessa superexploração com os crimes financeiros cometidos sem que haja as devidas punições.

A punição na prática vem para os trabalhadores que devem sofrer demissões sem o devido pagamento da indenizações, com longa espera na justiça, e perdem seus empregos. Com esses, os bilionários Lemann, Telles e Sicupira estão pouco se importando.

O caso das Americanas mostra o evidente estágio de crise e degradação do capitalismo nacional. Não à toa que sua divulgação acontece na esteira do golpismo bolsonarista de 8 de janeiro. 

Luta em defesa de empregos

Os trabalhadores e trabalhadoras da varejista estão apreensivos. Sindicatos de comerciários de dicersos estados do país estão organizando a realização de uma manifestação em frente ao escritório da Americanas, no Rio de Janeiro, nos rpóximos dias. O obejtivo é defender os empregos e salários da categoria. 

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