Jovens indígenas da etnia Pataxó são assassinados no sul da Bahia

Jovens indígenas da etnia Pataxó são assassinados no sul da Bahia

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Área já reconhecida pelo Estado sofre com violência desde a década de 1970

 

Na terça-feira (17), homens invadiram a TI (Terra Indígena) Barra Velha (BA) e assassinaram os jovens Pataxó Samuel Divino (25) e Inauí Brito (16). 

Conforme denúncia de lideranças indígenas , eles foram perseguidos e assassinados em uma rodovia, na BR-101, entre os municípios de Itabela e Itamaraju.

O evento, ocorrido nesta TI localizada no distrito de Corumbau, município de Prado, não foi um caso isolado.

Os ataques no sul da Bahia têm acontecido com regularidade assustadora. Em dezembro de 2022, homens armados invadiram a TI Quero Ver, localizada no mesmo município de Prado. Anteriormente, em Setembro, um menino de 14 anos foi morto na TI Comexatibá, na mesma região. 

Valzinho Pataxó, cacique da aldeia Quero Ver, falou ao Brasil de Fato, em matéria assinada por Vânia Dias, que “nos anos 70 os nossos povos foram expulsos da aldeia Quero Ver por pistoleiros pagos por fazendeiros". 

A Apib (Articulação dos povos indígenas do Brasil), informou em declaração oficial integrar o gabinete de crise instalado pelo recém criado Ministério dos Povos Indígenas, a fim de intervir nos conflitos da região.

A entidade encaminhou pedido de audiência pública à CIDH/OEA (Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos), há um mês, antes do ataque que vitimou Samuel e Inauí, “para tratar as situações de violação de direitos contra os povos indígenas Pataxó (Bahia), Tuxá (Minas Gerais, Pernambuco e Bahia) e Maxakali (Minas Gerais)”.

“Estamos tomando as medidas judiciais cabíveis para o caso. Acompanhamos, com preocupação, a incitação ao ódio por meio de ameaças que se intensificaram desde junho de 2022 e que contam com o apoio de veículos de comunicação da região, mantido por empresários do agronegócio local”, disseram em nota pública.

A organização Agro é Fogo denunciou com dossiê em novembro de 2022 que a Bahia está em terceiro lugar do ranking nacional no número de ocorrências de conflitos com fogo. Os estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia, somam mais de 50% de todos os conflitos com fogo do país.

Em resultado parcial ainda, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) registrou, por meio do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino, 759 ocorrências de conflitos no campo no Brasil, envolvendo um total de 113.654 famílias.

A Amazônia Legal responde por mais da metade do total de conflitos no campo registrados no período. Os indígenas compõem 34,66% das vítimas desse total discriminado.

No Programa Emergencial da CSP-Conlutas, apresentado pela Central ao governo federal nesta semana, reforçamos a defesa dos territórios, dos povos originários e o direito à moradia. Dizemos “não ao Marco Temporal”, para que sejam demarcadas e tituladas todas as terras indígenas e quilombolas, e lutaremos por Reforma e Revolução Agrária, sob controle dos trabalhadores e sem indenização do agronegócio, já.

 

Leia mais: CSP-Conlutas defende Programa Emergencial que atenda trabalhadores e povo pobre

 

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