RCN: Autodefesa da classe trabalhadora contra extrema direita é tema de debate

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Autodefesa da classe trabalhadora e do povo pobre entra em pauta para abertura de debate no interior das categorias de base e de movimentos populares

Desde duas reuniões da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas o tema da autodefesa da classe trabalhadora e do povo pobre tem sido placo de debates que envolvem o momento de crescimento da extrema direita e a criminalização das lutas.

A CSP-Conlutas São Paulo realizou recentemente um seminário sobre o tema que contribuiu para o amadurecimento da discussão que também vem sendo travada por organizações que compõem a Central.

O dirigente do Sindicato dos Químicos de São José dos Campos e Região David de Souza Júnior, da corrente Unidos pra Lutar, relacionou a autodefesa com a necessidade da classe trabalhadora enfrentar a repressão:  “Todos já passamos por repressão nas ocupações de terra, nas greves dos metroviários, nas lutas dos trabalhadores”, por isso, também defendeu de que a classe tem de ter consciência da necessidade da autodefesa.   

David alerta que as Centrais Sindicais já se posicionaram que não vão lutar para revogar a reforma trabalhista e “haverá repressão às lutas, não podemos acreditar hoje nos órgãos judiciais e em Alexandre de Morais, pois usarão da repressão”, disse.

O dirigente defendeu a necessidade de se abrir o debate da autodefesa nos setoriais da CSP-Conlutas e nas bases por locais de trabalho e moradia.

Do Conselho diretor de base do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) Bruno Gilga, do MRT (Movimento Revolucionário dos Trabalhadores) defendeu a importância do debate intimamente ligado ao momento pelo qual passa o país com o crescimento da extrema direita. “Apesar de terem perdidos a eleição, bolsonaristas e a extrema direita estão atuando por fora do regime”.  

Apontou que as ações do STE (Supremo Tribunal Eleitoral) e STF (Supremo Tribunal Federal)  e o ministro Alexandre de Morais com a condução coerente no período eleitoral também fortalece o judiciário. “Isso é perigoso porque eles vão se voltar muito rapidamente contra a nossa classe”, reforça.

Também lembrou que a classe trabalhadora enfrentará um momento difícil porque se formou uma ampla composição de setores da direita para governar em torno do PT - centro e esquerda e que “envolve inclusive os setores do Psol”.

Bruno apontou como perspectiva para o próximo período a necessidade da organização da autodefesa pela base para o enfrentamento com o bolsonarismo e a extrema-direita, assim como com o setor judiciário e a polícia e, por isso, a importância de fortalecer a alternativa de esquerda com independência do governo eleito.

“Vamos precisar lutar pela revogação da reforma trabalhista e da previdência, por exemplo”, disse Bruno adendando que é importante pensar nos piquetes de greves como organismos de autodefesa. “Não defendemos a autodefesa individual”, alertou, defendendo ainda a unidade da nossa classe e exigência das centrais sindicais para que assuma essa organização.

Integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, o metroviário Diego Vitello, do Combate Socialista, também reforçou a relevância do debate diante da atual conjuntura e das ações violentas vindas do bolsonarismo e da extrema direita.

Apesar de caracterizar que não há uma política prioritária golpista do imperialismo, “não achamos que a tendência seja uma pacificação no novo governo”, salientou.  

Diego também caracteriza que o próximo governo assumirá uma política conciliadora, principalmente devido a sua composição, sem dúvida muito perigosa para a classe trabalhadora. “A política majoritária do PT frente aos bloqueios é um desastre, pois orienta apenas que a polícia cumpra seu papel, mas que polícia é essa?, questionou o dirigente.

O dirigente defende que a CSP-Conlutas não se alinhe a essa política de conciliação. “Aos que se alinham a direita não tem conciliação, tem enfrentamento e tem luta”, ressaltou.

Contudo, alertou o enfrentamento que está posto com governos de ultra direita nos estados como Tarcísio de Freitas de em São Paulo, Claudio Castro no Rio de Janeiro e Romeu Zema em Minas Gerais.

Por fim, Diego levantou a necessidade de se exigir a prisão de Bolsonaro e seus filhos pelos atos que cometeram durante a gestão desse presidente.

Representando o Bloco Popular e Operário que compõe a Central, Magno de Carvalho, integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas defendeu o momento que estamos vivendo com o bolsonarismo e extrema direita.

“Ainda são atos isolados diante do que podem fazer”, chamou atenção de que há mais de 2 milhões de armas, parte em armas pesadas nas mãos dos que compraram como CACs (caçadores, atiradores e colecionadores), mas são de extrema direita, milicianos e fações criminosas. “Inimigo se armou até os dentes”, reiterou Magno.

Ao tecer o comentário, o dirigente disse que diante dos bloqueios, a classe trabalhadora é quem deveria ter ido para o enfrentamento, mas que não havia condições para tal.

Dois representantes da Ação antifascista foram convidados para a reunião da Central e expuseram o quanto o setor está organizado no Brasil.

Um deles indicou o primeiro ato por Bolsonaro, em 2011, já continha sinais pró nazismo. E que sinais como o jovem que assassinou quatro pessoas na escola em escola no Espírito Santo usando as armas do pai, um policial militar, e um fita com símbolos nazistas no braço não devem ser desprezados. “Isso tem de nos fazer pensar”, disse, afirmando que “uma guerra cultural ideológica está sendo travada com a nossa classe”.

A representante da ação antifascista que também falou à Coordenação Nacional, afirmou que essa ideologia busca se construir nas escolas que “é um campo de disputa de ideias, disputa de valores, por exemplo os valores antipetistas e anticomunista como temos visto”.

Por isso defendeu que diante da disputa que está acontecendo pautar a autodefesa deve ser uma iniciativa ampla. “Precisamos estar informados sobre símbolos e ideias propagadas à juventude que se frusta diante da falta de perspectiva que o capitalismo lhes oferece e giram à direita, culpando entre so inimigos os imigrantes os que cometem pequenos atos ilícitos com um discurso moral.

A ação Antifascista atua no combate ao fascismo e à extrema direita. A organização se propõe a ir a todos os lugares em que há um foco de combate a extrema direita. Por isso, o convite da Central.

Após as apresentações na mesa foi aberto o debate entre os participantes em que a ampla maioria manifestou a necessidade da realização do debate no interior da Central, suas entidades, bases das categorias e movimentos populares. Por este motivo, a opção foi não aprovar nenhuma resolução política sobre esta abordagem.      

 

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