Novamente sem provas, Bolsonaro ataca eleições. Basta de golpismo!

Novamente sem provas, Bolsonaro ataca eleições. Basta de golpismo!

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Relatório apresentado por Valdermar Costa Neto, presidente do PL, partido de Bolsonaro, contém erros e insiste em fake news

Em mais uma tentativa de tumultuar o país, Bolsonaro e o presidente do PL Valdemar Costa Neto pediram ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), nesta terça-feira (22), a invalidação dos votos de 59% das urnas utilizadas nas eleições brasileiras. Sem apresentar provas de fraude, o partido alega que parte das urnas tem “desconformidades”.

Segundo o Costa Neto, mais de 279 mil urnas dos modelos UE2009, UE2010, UE2011, UE2013 e UE2015 teriam um problema nos chamados “logs de urna” que supostamente não permitiria “auditar” os equipamentos. Somente a UE2020 conferiria um voto “auditável”, o que representaria apenas 192 mil urnas e daria a Bolsonaro 51,05% dos votos contra 48,95% de votos para Lula.

A ação do PL usa como base um relatório produzido pelo Instituto Voto Legal. Em setembro, a entidade também fez outro relatório, colocando em dúvida o funcionamento das urnas eletrônicas, o que foi refutado pelo TSE e outras organizações. A Justiça Eleitoral classificou o texto como “falsas e mentirosas”.

Em resposta imediata, o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, respondeu à ação e deu prazo de 24 horas para que o PL apresente dados que também englobem o resultado do 1° turno, sob pena de indeferir inicialmente a petição. Segundo o ministro, os mesmos equipamentos apontados pelo partido de Bolsonaro foram utilizados no 1° turno das eleições.

Cara de pau e golpismo

O argumento foi alvo de críticas e ironias de outros partidos e setores políticos, seja pela cara de pau de Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, ex-condenado no Mensalão, pedirem a anulação dos votos somente da eleição presidencial no 2° turno, seja pela total falta de embasamento do tal “relatório”.

No primeiro turno, somente o PL elegeu 99 parlamentares. Outros bolsonaristas também se elegeram com as mesmas urnas, portanto, também teriam de ter a eleição “anulada” caso o pedido tivesse real embasamento. Sem falar que são urnas também utlizadas em outras eleições, inclusive na de 2018 em que Bolsonaro foi eleito. 

A segurança das urnas já foi comprovada pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Três missões internacionais de observação eleitoral também emitiram relatórios preliminares atestando a segurança das urnas eletrônicas. As próprias Forças Armadas, que vêm sendo instrumentalizadas por Bolsonaro e fiscalizaram as eleições, divulgaram relatório em que também foram obrigadas a admitir que não houve fraude nas eleições.

O novo "relatório" do PL foi refutado por especialistas, que explicam que os logs de urna não inviabilizam a identificação e fiscalização dos equipamentos, nem a contabilização de votos. Ao jornal Folha de SP, profissionais de tecnologia desmentiram as falsas alegações apresentadas (saiba mais aqui).

Golpistas não passarão!

Bolsonaro foi derrotado por Lula. O petista obteve 50,90% dos votos válidos, o equivalente a mais de 60 milhões de votos (60.345.999), contra 49,10% ou pouco mais de 58 milhões de votos de Bolsonaro (58.206.354).

Bolsonaristas estão inconformados com a derrota e têm contestado o resultado das eleições com ações golpistas e cada vez mais violentas. Estimulados por Bolsonaro, setores de extrema direita bloquearam rodovias por todo o país e têm realizado manifestações em frente aos quartéis pedindo uma intervenção das Forças Armadas para impedir a posse de Lula, o que é crime previsto no Código Penal.

Alguns protestos têm evoluído para atentados terroristas de grupos de ultradireita, com ataques a tiros, incêndios e depredações de caminhões, praças de pedágio, órgãos de imprensa, além de violência contra quem critica as manifestações golpistas e contra supostos eleitores do PT. A PRF (Polícia Rodoviária Federal), cujo diretor-geral está sendo acusado de conivência, em alguns locais onde houve ação de desobstrução de estradas, foi atacada com tiros de armas de fogo.

A ação do PL é vista como uma medida para manter esses setores de ultradireita cada vez mais inflamados e aumentar o clima de caos no país.

Para Atnágoras Lopes, dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, é preciso rechaçar firmemente as tentativas golpistas. “Repudiamos os bloqueios e protestos bolsonaristas pelo seu conteúdo reacionário que defendem um golpe militar. Ditadura nunca mais. Mas é importante ressaltar que isso não se confunde com o discurso que tenta criminalizar todas manifestações em locais públicos. As reivindicações sociais por moradia, salários, direitos, a tradição de luta da classe trabalhadora, são legítimas", destacou.

“Bolsonaro não tem apoio político internacional ou nacional para um golpe, mas segue tentando aventuras como fez Trump, nos EUA, o que alimenta setores de extrema direita e até neofascistas. Não apoiamos o governo de Frente Ampla com a burguesia de Lula-Alckmin, mas defendemos que o resultado das eleições seja respeitado. Golpistas não passarão! É urgente garantirmos a autodefesa da nossa classe e suas organizações, bem como nos mobilizar para exigir a punição de todos os golpistas e quem os financiam”, concluiu Atnágoras.

 

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