Contra bloqueios golpistas, sim. Mas contra a teoria burguesa que visa criminalizar o direito às manifestações de classe

Contra bloqueios golpistas, sim. Mas contra a teoria burguesa que visa criminalizar o direito às manifestações de classe

Atnágoras Lopes

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Antes de tudo é preciso rechaçar, mais uma vez, todos esses bloqueios de vias realizados pelos grupos bolsonaristas que, ao verem seu capitão derrotado nas urnas, reagiram orquestradamente em meio ao silêncio de 48h de presidente. Defenderam intervenção militar contra o resultado das eleições.

Eis o X da questão que fez unificar o posicionamento político contrário a essas manifestações por parte das organizações sindicais e populares de nosso país, bem como a chamada esquerda e setores democrático os em geral. É, especialmente, pelo conteúdo programático reacionário da pauta pela qual se mobilizam as hordas dos ditos “bolsonaristas raiz” que devemos nos levantar contrariamente. Também repudiar e até apoiar as ações espontâneas das massas que, em diversos pontos, enfrentaram e desmontaram os ditos bloqueios.

É correto e necessário enfatizar o caráter golpista das manifestações bolsonaristas e, por esse motivo, nos colocarmos veementemente contra esses intentos.

Essa nossa posição, no entanto, não nos pode levar a que nos perfilemos ou nos deixemos confundir com a teoria burguesa, repetidas vezes difundidas em toda grande mídia nesses dias. Se aproveitam das ações da ultradireita e buscam, a todo custo, cravar novamente a mensagem de que “todo bloqueio de via ou manifestação que impeça o tal direito de ir vir seja considerada crime”.

Neste momento, combater essa armadilha ideológica burguesa e opor-se a mesma é tão importante e necessário quanto a nossa posição política de rechaço aos bloqueios de viés golpista.

Não dizemos e não podemos dar o mesmo tratamento, tampouco devemos deixar disseminar, que essa mesma tratativa seja dada quando as causas e pautas que mobilizem qualquer um dos diversos setores da sociedade seja pela defesa das liberdades democráticas ou por direitos ao acesso à terra, à moradia ou aos direitos trabalhistas e sociais. Por exemplo, a defesa dos serviços públicos ou demandas afins que por vezes podem, inclusive, levar a uma greve geral no país, como já ocorreu por diversas vezes.

É imperioso que, desde as tarefas que compõem a razão de ser dos movimentos sociais, sindicais ou populares, tenhamos o zelo por combater a ideologia calcada no instrumentalizado “direito de ir vir” que na verdade prepara terreno para também buscar criminalizar as presentes ou futuras ações de luta, a curto ou médio prazo, que certamente teremos de realizar em defesa de nossas pautas.

Juntar essa compreensão ao princípio da independência de classe contra qualquer governo ou patrão é outro fator determinante, afinal devemos usar de todos os meios, formas e tradições de luta de nossa classe na batalha pela defesa de melhores condições de vida para os que vivem do trabalho.

E, devemos usá-los, seja contra um governo diretamente de ultradireita, seja contra um governo de conciliação de classes como é o caso do futuro governo Lula/Alckmin.

Aliás, numa fase transitória de uma necessária superação do capitalismo a uma sociedade socialista, rumo às perspectivas de uma sociedade comum, sem classes, essa também deve ser a postura das direções e do movimento de massas em geral.

Rechaçar os atos golpistas, sim. Sucumbir às ideologias burguesas, não. Eis o X da questão!

Atnágoras Lopes – Integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas

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