Terror sem limites: anestesista é investigado por 30 casos de estupro

Terror sem limites: anestesista é investigado por 30 casos de estupro

  • Facebook
  • Twitter

O terror no caso do médico anestesista Giovanni Bezerra, preso em flagrante na última segunda-feira (11) por estuprar uma mulher durante o parto, parece não ter limites. A Polícia Civil investiga pelo menos 30 possíveis casos de estupro em procedimentos cirúrgicos que contaram com sua participação.

Os casos começam a ser investigados a partir de relatos de pacientes após a prisão de Bezerra. Três casos teriam ocorrido no domingo (10), quando enfermeiras do Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, usaram um celular escondido para flagar o anestesista.

Sedação excessiva, retirada de acompanhantes e uso de uma espécie de cortina para esconder do restante da equipe seu contato com as parturientes. Esses eram os procedimentos do estuprador. Segundo as investigações ele usava gases para esconder os vestígios do crime. Nas imagens que mostram o estupro cometido por Bezerra, ele coloca o pênis na boca da mulher que estava sedada.

Ao G1, a delegada responsável pelo caso, Bárbara Lomba, titular da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), afirmou que o anestesista se aproveitou da relação de poder que tinha no momento do parto para cometer os crimes. A pesquisadora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Chrystina Barros afirmou que Bezerra agiu de caso pensado.

“Não é que ele [Giovanni] tenha uma doença mental e que ele teve um impulso incontrolável de desejo. Ele sabe muito bem o que ele está fazendo. Desde o princípio, foi de caso pensado, completamente premeditado. Escolheu ficar daquele lado da paciente”, declarou a pesquisadora, que também é enfermeira, ao analisar as imagens, ao G1.

A prisão de Giovanni Bezerra foi convertida de prisão em flagrante para prisão preventiva na terça-feira (12) e está no presídio de Bangu 8.

Basta de violência às mulheres e cultura do estupro!

Bezerra foi preso, graças à iniciativa de enfermeiras que estranharam a forma como o médico agia.

Um levantamento realizado pelo site Intercept Brasil revelou que, somente em nove estados brasileiros, foram registrados 1.734 casos de violência contra a mulher em unidades de saúde entre 2014 e 2019.

Foram 1.239 registros de estupros e 495 casos de assédio sexual, violação sexual mediante fraude, atentado violento ao pudor e importunação ofensiva ao pudor.

O número certamente é muito maior, diante da ausência de dados em 18 estados e das subnotificações, uma vez que muitos crimes não são denunciados.

A dirigente do Movimento Mulheres em Luta e integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas comentou o caso de forma indignada e afirmou que quando achamos que já fomos violentadas de todas as formas, o machismo e a objetificação dos nossos corpos se superam.

“Que as mulheres são vítimas de violência obstétrica, aquela que ocorre no processo do parto, não é novidade e nós denunciamos intensamente. Agora, estupro de um profissional que naquele momento é responsável pelo bem estar da paciente, que tem domínio sobre o corpo da mesma, é mais do que indignante”, disse.

“A reação dos movimentos de luta contra a opressão e de todas as entidades da classe trabalhadora deve ser proporcional à tamanha barbárie. Não dá pra ficar calada diante disso, muito menos achar que depois de outubro não teremos mais problemas com esse. A revolta é pra agora”, afirmou.

A CSP-Conlutas defende que Bezerra seja punido por esse crime hediondo, com prisão e com a perda de sua licença profissional, e que em mesma medida seja fortalecida a luta contra o machismo e a violência dos corpos das mulheres. Essa luta é urgente e não pode esperar.

Com informações: G1

 

Rua Boa Vista, 76 – 11° andar CEP: 01014-000 - Centro - São Paulo/SP
Telefone: (11) 3107-7984 - secretaria@cspconlutas.org.br
© CSP-Conlutas - Todos os direitos Reservados.

  • Facebook
  • Twitter
  • Youtube
  • Instagram
  • Flickr
  • WhatsApp