Bolsonarismo mata: discurso de ódio é responsável por assassinato em Foz do Iguaçu

Bolsonarismo mata: discurso de ódio é responsável por assassinato em Foz do Iguaçu

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Casos de violência política aumentam no país

“Aqui é Bolsonaro, seus f.d.p”. Foi aos gritos dessa frase, segundo o Boletim de Ocorrência, que o agente penitenciário Jorge José da Rocha Guaranho invadiu a festa de aniversário do guarda municipal Marcelo Arruda e o assassinou a tiros na madrugada deste domingo (10), em Foz do Iguaçu (PR).

Ao portal UOL, André Alliana, amigo do aniversariante, relatou que a festa, decorada com adereços em alusão ao PT e ao ex-presidente Lula, transcorria normalmente quando Guaranho chegou por volta das 23 horas, em um carro branco, com a mulher no banco de trás, segurando um bebê de colo. "Achamos que era um convidado, já que também tinha bolsonaristas no local. O Marcelo estava na cozinha e fomos chamá-lo para receber esse homem. Foi aí que vimos que não era brincadeira".

“Ele [Guaranho] deu a volta de carro, xingou quem estava lá e disse que ia voltar para 'acabar' com todo mundo. O Marcelo estava com um copo de chope na mão e acabou jogando nele para expulsá-lo do local”, disse.  Com medo, Arruda foi até seu carro e voltou com uma pistola, contou Alliana. Quinze minutos depois, Guaranho voltou sozinho ao local.

Imagens de câmeras instaladas nas áreas externa e interna do local da festa, onde Arruda, familiares e amigos comemoraram o aniversário de 50 anos de idade, mostram esse momento da discussão, bem como quando Guaranho volta e já chega atirando. Mesmo ferido, num ato de legítima defesa, Arruda conseguiu revidar os disparos e também atingiu Guaranho.

Arruda não resistiu aos três tiros e faleceu no hospital. Deixa esposa e quatro filhos, entre eles um bebê de apenas um mês. Era guarda municipal há 28 anos, diretor do Sismufi (Sindicato dos Servidores Municipais de Foz do Iguaçu) e tesoureiro do PT local. Nas eleições de 2020, saiu candidato a vice-prefeito de Foz pelo partido. 

Segundo a Polícia Civil, Jorge Guaranho segue internado no hospital municipal Padre Germano Lauck.

Intolerância e violência da ultradireita

As investigações indicam que o crime foi cometido por motivação política. Guaranho era bolsonarista declarado. Em suas redes sociais, pode-se verificar a reprodução dos discursos de Bolsonaro e da ultradireita, como “limpar o Brasil do PT”, ataques às urnas eletrônicas e acusações infundadas de fraudes nas eleições, além de posicionamentos a favor da intervenção das Forças Armadas, misoginia, entre outras.

Em nota o PT, se solidarizou com a família de Arruda e cobrou medidas das autoridades de segurança e do Judiciário para coibir “firmemente toda e qualquer situação que alimente um clima de disputa violenta fora dos marcos da democracia e da civilidade”.

O crime repercutiu fortemente durante todo o domingo, mas Bolsonaro permaneceu sem comentar o caso até a noite e ao invés de prestar solidariedade à vítima tentou se desvencilhar de seu apoiador e acusou a esquerda. "Dispensamos qualquer tipo de apoio de quem pratica violência contra opositores. A esse tipo de gente, peço que por coerência mude de lado e apoie a esquerda, que acumula um histórico inegável de episódios violentos", escreveu no Twitter.

O caminho para um autogolpe

O assassinato do dirigente petista é o ponto alto e mais grave de uma série de episódios registrados nas últimas semanas de violência contra opositores do bolsonarismo.

Na última quinta-feira (7), uma bomba caseira com fezes foi lançada contra o público que participava do ato do PT com Lula na Cinelândia (RJ). No mesmo dia, o carro do juiz responsável por mandar prender o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro envolvido no escândalo de corrupção no MEC foi vandalizado com fezes de animas e ovos. No dia 15 de junho, num ato em Uberlândia (MG), um drone jogou uma substância também sobre o público de um ato com Lula.

Os ataques acontecem em meio à ofensiva de Bolsonaro contra o sistema eleitoral brasileiro, em que faz acusações sem provas de supostas fraudes nas urnas eletrônicas e convoca sua base a rejeitar qualquer resultado em que não seja o vencedor. Em sua live, na última quinta-feira, o presidente de ultradireita se referiu ao episódio da invasão do Capitólio, nos EUA. “Você sabe o que está em jogo, você sabe como deve se preparar. Não para um novo capitólio, ninguém quer invadir nada. Nós sabemos o que temos que fazer antes das eleições”, disse aos seus seguidores.

A cena em que simula uma arma durante um ato no Acre durante a campanha de 2018 e fala em “fuzilar a petralhada” também é simbólica dos discursos de Bolsonaro.

Autodefesa da classe trabalhadora

Silvia Letícia, dirigente licenciada da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, declarou ser inaceitável essa situação de intolerância política, pois todos têm o direito de defender suas posições, ideias e escolhas políticas. “Revoltante o assassinato de Marcelo Arruda. Ele comemora seu aniversário e foi morto por um bolsonarista covarde que não aceitava sua militância anti-bolsonaro. O mandante desse crime político é esse presidente genocida”, declarou.

A também dirigente licenciada da SEN da CSP-Conlutas Rejane Oliveira destacou: “A ultradireita e a burguesia têm como política o extermínio. Pela fome, pelo aparato do Estado que assassina a juventude negra na periferia, pela bala do ódio político. Precisamos fortalecer a independência de classe, organizar a luta e a autodefesa da classe trabalhadora”.

A CSP-Conlutas se solidariza com os familiares, amigos e militantes do PT que perderam Marcelo Arruda.

A Central considera muito preocupante o incentivo à violência promovido pelo governo Bolsonaro, que a cada dia ganha uma escalada maior, que inclui não apenas o discurso de ódio, mas também a aprovação de projetos de leis que estimulam o extermínio de povos indígenas, a violência contra os moradores das periferias, negros e negras; o conservadorismo que estimula a discriminação de LGBTIs, assim como criminaliza as lutas da classe trabalhadora urbana e camponesa e dos movimentos populares. Sem falar na conivência e apoio a setores milicianos e paramilitares. Na última reunião da Coordenação Nacional, realizada em maio deste ano, a Central realizou um debate sobre a necessidade urgente da autodefesa da classe trabalhadora.

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