Prorroga STF! Milhares protestam pela manutenção da decisão que proíbe despejos na pandemia

Prorroga STF! Milhares protestam pela manutenção da decisão que proíbe despejos na pandemia

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De norte a sul do país, o grito dos movimentos por moradia que protestaram na terça-feira (21) foi um só: prorroga STF! A mensagem, destinada aos ministros do Supremo, diz respeito à decisão da Corte que proíbe despejos durante a pandemia de covid-19.

No próximo dia 30, a ADPF 828 perderá a validade. Com isso, quase 600 mil pessoas estão ameaçadas de despejo em todo o Brasil. Organizado pela Campanha Despejo Zero, o dia de luta reuniu milhares de sem-teto para exigir uma alternativa às remoções.

Desde as 8h da manhã, atos, panfletagens e outras ações ocorreram em pelo menos vinte cidades. Entre elas, destacam-se Porto Alegre, Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba, Goiânia, Salvador, Brasília e João Pessoa.

“Nós estamos com uma catástrofe batendo em nossa porta. Os dados mostram que a população de rua aumentou brutalmente, a fome já assola 33 milhões de brasileiros, o desemprego é gritante”, afirma Irene Maestro, da Executiva Nacional da CSP-Conlutas e do movimento Luta Popular.

“Estamos falando de trabalhadores pobres que não tem para onde ir. O poder público não oferece alternativa, por isso eles ocupam os territórios”, explica Irene, que fez parte da organização do ato realizado em São Paulo.

Moradores da ocupação dos Queixadas protestando contra os despejos na pandemia

Ato em São Paulo

A marcha na capital paulista reuniu cerca de 7 mil manifestantes. Após concentração, às 14h, em frente ao parque Trianon-Masp, a passeata percorreu a Av. Paulista e Av. Brigadeiro Luís Antônio, até chegar ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, na Praça da Sé.

“É um absurdo a gente que mora em um país rico, cheio de terra, correr o risco de ir pro olho da rua no meio do inverno”, alertou Vanessa Mendonça, do Luta Popular, em sua fala aos manifestantes.

Vanessa é moradora da Ocupação dos Queixadas e corre o risco de ser despejada em julho. “O Estado precisa fazer algo pela gente. Somos nós que construímos isso aqui. É a gente que trabalha todos os dia e produz a riqueza. Temos de ter um teto pra morar”, concluiu.

Alternativas

Uma comissão eleita pela manifestação foi recebida pelos representantes do poder público. Foi entregue um ofício destinado ao desembargador Ricardo Mair Anafe, presidente do TJ-SP. O documento solicita providências em relação a onda de despejos que pode estar à caminho, caso a ADPF 828 não seja prorrogada.

Além disso, os manifestantes pedem pelo assento do Condepe (Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana) no Gaorp (Grupo de Apoio às Ordens Judiciais de Reintegração de Posse). 

O plano é criar o espaço para que se apresentem as ocupações que estão em situação de emergência e que, por isso, necessitam da mediação do Gaorp para encontrar alternativas às remoções. 

A manifestação terminou por volta das 17h, com a praça da Sé completamente tomada por moradores de ocupações de todo o Estado.

Praça da Sé ficou completamente tomada pelos manifestantes.

Agenda de luta

Filiado à CSP-Conlutas, o Luta Popular programou uma agenda de mobilizações para os próximos dias. Além de exigir a prorrogação da lei contra os despejos, o objetivo das atividades é fortalecer as ocupações do movimento.

Na sexta-feira (24), ocorrem as Festas Juninas contra os despejos, nas ocupações São João, em Três Lagoas (MS)e Coração Valente, em Jacareí (SP). No sábado (25), a mesma atividade irá acontecer na ocupação Reflexo do Amanhã, em Volta Redonda (RJ).

Já na terça-feira (28), os moradores da comunidade Novo Horizonte irão protestar em frente a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes (PE). Desde as fortes chuvas que castigaram a região da Grande Recife, centenas de famílias estão passando dificuldade.

Diversas famílias tiveram suas casas alagadas, principalmente as que moram no entorno da Lagoa Olho D'água. O objetivo é cobrar a atuação do prefeito no caso. A CSP-Conlutas dá total apoio à manifestação. O poder público é o grande responsável pela tragédia apenas agravada pela chuva.

 

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