Fila à espera do Auxílio Brasil dobra e 2,8 milhões de famílias aguardam benefício

Fila à espera do Auxílio Brasil dobra e 2,8 milhões de famílias aguardam benefício

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Segundo levantamento da CNM (Confederação Nacional de Municípios), 2.788.362 famílias que atendem os requisitos para receber o Auxílio Brasil não tiveram acesso ao benefício no mês de abril.

O número representa um aumento de 113% em relação à fila registrada em março, quando 1.307.930 famílias aguardavam para conseguir o benefício. Ou seja, em um mês, mais 1.480.432 famílias apresentaram os requisitos para receber o Auxílio Brasil que este ano foi definido em R$ 400.

Para receber o benefício, as famílias precisam atender às condições do programa e estar inscritas no Cadastro Único. Não é preciso se inscrever para o benefício: o governo avalia dentro do CadÚnico os elegíveis. A demanda reprimida, assim, leva em conta o número de inscritos no Cadastro que se enquadram para o recebimento.

De acordo com o estudo da CNM, em julho de 2021 havia cerca de 25 milhões de famílias cadastradas no Cadastro Único, neste ano o número já passa de 33 milhões.

Ainda segundo a confederação, o orçamento de R$ 89 bilhões previstos para este ano não será capaz de zerar a fila.

Aumento da pobreza e da fome

Os números da fila pelo Auxílio Brasil, benefício que substituiu o Bolsa Família, são divulgados dias depois de outro levantamento que revelou que atualmente 33,1 milhões de pessoas passam fome no Brasil, 14 milhões a mais do que registrado no ano passado. Os dados são do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19, produzido pela Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional).

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Prefeituras cobram que o programa seja reforçado para atender a demanda reprimida (que é sentida nos municípios onde é feito o cadastramento das famílias no CadÚnico) e especialistas defendem uma grande mobilização para enfrentar o aumento da fome.

Desmonte de políticas públicas

O aumento da fome no país ocorre não só em razão da crise aprofundada pela pandemia, mas fruto de uma deterioração socioeconômica e profundas desigualdades em razão das políticas ultraliberais que vêm sendo aplicadas a ferro e fogo pelo governo de Bolsonaro. O descaso deste governo de ultradireita com políticas sociais e de combate à fome tem agravado a situação a cada dia. Há um verdadeiro desmonte de políticas sociais.

O relatório da Rede Penssan destacou que, em 2021, o governo de Bolsonaro extinguiu o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Bolsa Família (PBF) para substitui-los pelos programas Alimenta Brasil e Auxílio Brasil, avaliados por especialistas como frágeis em suas concepções e objetivos, além de limitados na abrangência populacional.

Estima-se que apenas metade dos 100 milhões de pessoas antes atendidas pelo PBF e pelo Auxílio Emergencial permaneceu com acesso ao Auxílio Brasil. É apontando também a má gestão do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

De acordo com o UOL, o governo praticamente zerou o orçamento da ação Alimenta Brasil, voltada para a doação de comida a pessoas que vivem em insegurança alimentar. Em 2012, o programa chegou a ter orçamento de R$ 586 milhões. Em 2022, até maio, a ação teve orçamento de apenas R$ 89 mil.

Apesar desse grave quadro, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho de Bolsonaro, ao ser questionado após a divulgação do relatório da Rede Penssan, chegou a afirmar em entrevista à CNN que o governo do seu pai teria "feito tudo o que estava seu alcance" para conter o drama vivido por esta parcela da população. Na maior cara de pau disse que os beneficiários do Auxílio Brasil, que recebem R$ 400 por mês, "podem até enfrentar dificuldades", mas não estariam passando fome. É muita cara de pau desse político acusado de desviar dinheiro público de esquemas de "rachadinha" em seus mandatos.

 

Com informações: Estadão

 

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

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