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Coordenação Nacional discute lutas no mundo e novo comboio à Ucrânia

Coordenação Nacional discute lutas no mundo e novo comboio à Ucrânia

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Tema internacional na Coordenação faz balanço de lutas e prepara próximo comboio de solidariedade è resitência do povo ucraniano 

O integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Herbet Claros, do Setorial Internacional, apresentou o ponto internacional da reunião da Coordenação Nacional com um balanço das mais importantes mobilizações que ocorreram este ano no mundo e a guerra da Ucrânia e organização do próximo comboio.

Herbert partiu da crise econômica que se instalou no mundo desde 2008 e seus reflexos principalmente para os países mais pobres como os da África, mas também no que implicou no crescimento da extrema direita mundial.

“As condições da classe trabalhadora mundial se deterioraram e a crise se aprofunda não somente por questões estruturais do capitalismo, mas em decorrência da pandemia e também com a guerra entre Rússia e Ucrânia”, afirmou.

2022: Mobilizações no mundo

De acordo com o dirigente, a falta de políticas públicas durante a pandemia contribuiu para as que ocorreram em inúmeros países em 2022.

Entre elas lutas contra o aumento do custo de vida, principalmente do gás, como foi no Cazaquistão, onde chegaram a ocupar uma residência do presidente Kasim-Zhormat Tokáyev, centenas de lojas, escritórios e infraestruturas de serviço público foram danificadas, assim como veículos foram incendiados. Alegando "ameaça terrorista", o presidente solicitou intervenção da OTSC (Organização do Tratado de Segurança Coletiva), que enviou um total de 2.500 tropas, a maioria formada por militares russos, para reprimir a mobilização.

Na América do Sul, Herbert chamou atenção para a luta que aconteceu no Equador em que a Conaie (Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador) em sua pauta de reivindicações demandas da classe trabalhadora urbana numa expressão da unidade na luta. “Momento importante da luta de classe com unidade entre indígenas e trabalhadores urbanos”, disse o dirigente.

Trabalhadores de aeroportos na França, Espanha, Inglaterra, Alemanha e Itália que realizaram importantes greves fruto do excesso de trabalho na retomada de voos nesse período pós pandemia. Assim, como as greves na educação na Grã-Bretanha que vêm ocorrendo.

Herbert lembrou das mobilizações no SriLanka onde a população ocupou o palácio presidencial, obrigando o presidente Gotabaya Rajapaksa apresentar uma carta de renúncia e fugir do país com medo dos em massa contra o colapso econômico. A família estava há duas décadas no poder.

Chile e Peru também mencionados, assim como a luta dos despejos na região do entorno de Jerusalém na Palestina.

Luta em defesa do aborto legal nos EUA

Como parte das mobilizações no mundo, a luta pelo aborto legal nos Estados Unidos contou com a mensagem da ativista desde o país norte americano Florence Oppen. "Sofremos um retrocesso brutal e histórico, hoje em dia há mais de 13 estados em que o aborto é ilgeal e 12 estados que garantem o aborto legal", informou.  

Isto em decorrência da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que, em junho, derrubou o direito ao aborto legal no país, tornando a lei estadual e não mais federal. Assim, deu fim a quase meio século de proteções constitucionais que envolvia este tema. O tribunal, de maioria conservadora, decidiu revogar a histórica decisão que reconheceu o direito constitucional ao aborto e o legalizou em todo o país,  em 1973. Graças as inúmeras mobilizações que ocorriam no país na época, entre elas as por diretos às mulheres. 

Florence abordou que diante de tal ataque moivmentos de mulheres e LGBTi sairam às ruas. "Foi uma ação de massa e com democracia de base e independência, porque estamos cansados a confiar nos democratas, queremos vamos confiar em nossos direitos e nas lutas", garantiu.

A ativista afirmou que essa é uma luta mais ampla do que somente o direito das mulheres deciderem sobre seu corpo, mas também é uma luta pelo direito reprodutivo e pela educação sexual. "Não só os direitos das mulheres estão ameaçados e sim os da comunidade LGBTi e das pluralidades sexuais", disse.   

Comboio e opoio à resistência do povo ucraniano

Mas a invasão da Rússia à Ucrânia e a resistência desse país tornou-se o mais importante na luta de classes neste ano de 2022.

Herbert reafirmou o posicionamento da CSP-Conlutas de apoio à resistência do povo ucraniano diante da invasão russa. Desde o início desse conflito, a Central posicionou-se em favor da classe trabalhadora daquele país reafirmando a importância de estar ao lado da autodeterminação dos povos.  

A CSP-Conlutas fez parte do Comboio de Apoio à Resistência Ucraniana em final de abril. A iniciativa foi de entidades integrantes da Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas. Lá, os integrantes do comboio se reuniram com sindicalistas e ativistas de diversos países como França, Itália, Polônia, Lituânia e Áustria, além de resistentes da Ucrânia.

As doações foram entregues a sindicatos ucranianos.  

Segundo Herbert, um novo comboio está sendo organizado para final de setembro, que também contará com representação da CSP-Conlutas e do Solidaires da França, entre outras organizações. Levarão prioritariamente medicamentos de primeiros socorros que serão entregues para sindicatos mineiros e metalúrgicos locais.

A solidariedade classe trabalhadora ao povo ucraniano é fundamental, alerta o dirigente.  “Forças russas estão tendo dificuldade de arregimentar pessoas para ir pra guerra, fazendo acordo com mercenários e detentos para irem pra guerra, o que provoca um número de barbaridades contra a o povo ucraniano. Nossa solidariedade é fundamental”, disse.

O convidado para a reunião da Coordenação Nacional, o argentino Alejandro Bordart da Liga Internacional Socialista (LIS) reforçou que resultado da guerra na Ucrânia pode ser favorável a classe trabalhadora. “O centro da política deve ser aplicar a solidariedade aos trabalhadores ucranianos”, afirmou.

“O processo de auto-organização que há feito durante a guerra e tomado a guerra em suas mãos, fazendo avançar a resistência ucraniana”, afirmou, levantando outro debate.  

“Se ganha a guerra, a Ucrânia se fortalece e os EUA e a Otan também, mas a classe trabalhadora também está fortalecida para enfrentar seu próprio governo e essa classe que vamos apoiar”, reforçou.

De acordo com o convidado, desde o início, a guerra na Ucrânia combinou dois processos ao mesmo tempo. Por um lado, a defesa justa de sua soberania, da Ucrânia, por outro, o acirramento do atrito interno imperialista entre as potências da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e os imperialismos emergentes da Rússia e da China. “A incompreensão desse duplo caráter da guerra, seus ritmos e a perspectiva mais provável são a base da confusão que reina em uma parte importante da esquerda”, alegou.

Alertou que setores da esquerda campista e neostalinista se alinharam abertamente à Rússia imperialista de Putin, se amparando no correto ódio das massas ao imperialismo estadunidense e a OTAN. “Mas não justifica o alinhamento à Rússia”, salientou.

Alejandro chamou atenção que o objetivo da invasão russa é subjugar a Ucrânia à sua vontade e recuperá-la para sua zona de influência, eliminar sua relativa independência e retirar parte de seu território. “Os trabalhadores e o povo da Ucrânia têm todo o direito de se defender e responder militarmente ao invasor. É uma resistência justa, em defesa de seu direito à autodeterminação”, reforçou.

O presidente do Sindicato Independente da Ucrania (Proteção ao Trabalhador), Oleck Vernik enviou um vídeo agradecendo à solidariedade da classe trabalhadora brasileira. “Nós ucranianos temos resistido à invasão russa há mais de seis meses com trabalhadores comuns e pessoas comuns na linha de frente. A Rússia é uma federação enorme e o segundo maior exército do mundo”, disse ele, acrescentando que a Rússia está implantando a ambição por um novo imperialismo naquela região e no Leste Europeu.

Segundo Oleck, uma vitória do exército de Putin fortaleceria o povo operário ucraniano e daria ímpeto aos irmãos e irmãs de classe do movimento operário russo, bielorusso e de outras nacionalidades para enfrentar os regimes ditatoriais que os oprimem e a ambição imperialista na região. E diante das disputas dos dois blocos imperialistas, os trabalhadores ucranianos não defendem nenhum deles e sim a solidarie de classe mundial mutuamente e, neste momento, aos trabalhadores que enfrentam a política ultraliberal de Zelenski e do imperialismo russo.

“Viva a solidariedade e a unidade internacional da classe trabalhadora”, finalizou.

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