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MS: Violência recorrente provoca morte de mais um líder Guarani-Kaiowá

MS: Violência recorrente provoca morte de mais um líder Guarani-Kaiowá

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Mato Grosso do Sul tem sido palco de intensa violência contra povos indígenas com três mortes somente neste mês de setembro 

A liderança indígena Vitorino Sanches, de 60 anos, foi executado por pistoleiros em Amambai (MS), a 352 km de Campo Grande nesta terça-feira (13). Foram cerca de 35 tiros disparados. O líder Guarani-Kaiowá havia sofrido outro atentado em 1º de agosto quando sobreviveu a uma emboscada onde seu carro foi alvejado com 15 tiros.

De acordo com o G1, Vitorino estava próximo de um veículo quando dois pistoleiros se aproximaram e dispararam contra ele atingindo-o com diversas balas.

Policiais civis e militares foram chamados. Ele chegou a ser levado para o Hospital Municipal de Amambai, mas teve a morte confirmada.

Um dia após o primeiro atentado, o líder prestou depoimento, pois o carro foi alvejado por 15 disparos de arma de fogo. Vitorino foi baleado no braço e na perna.

Violência recorrente

A violência contra os Guarani-Kaiowá na região não é de hoje. Somente neste ano houve muitas. Recentemente, foram quatro.

Em 24 de junho, um ataque de policiais do Batalhão de Choque, da Polícia Militar, feriu vários em uma propriedade rural retomada em Amambai (MS), sete foram levados para o hospital. O indígena Vito Fernandes, de 42 anos, foi assassinado com três perfurações balas.

Já em 14 de julho foi o Guarani-Kaiowá Márcio Moreira quem morreu atingido por um disparo de arma de fogo e teve perfuração de arma branca no tórax.

Há poucos dias, dois adolescentes Ariane Oliveira Canteiro, de 13 anos, e Cleiton Isnard Daniel, de 15 anos, morreram vítima da violência. Ariane foi assassinada e Cleiton teria cometido suicídio.

Desaparecida desde 3 de setembro, o corpo de Ariane foi encontrado oito dias depois em uma propriedade próxima à reserva onde morava na aldeia Jaguapiru, uma das que formam a Reserva Indígena de Dourados (MS). Era neta do Nhanderu (rezador) Getúlio Oliveira, membro da Aty Guasu – a Grande Assembleia Guarani e Kaiowá. O avô vem sendo perseguido por pistoleiros contratados e ameaçado por fazendeiros.

Na mesma aldeia, Jaguapiru, Cleiton teria cometido suicídio no dia em que o corpo de Ariane foi encontrado.

“Vitorino é grande liderança dos Guarani Kaiowá do MS. Lá é uma retomada que também é foco de disputa por causa do garimpo. Infelizmente, Vitorino é mais um dos nossos que tem a vida interrompida por causa desses assassinos que estão a solta. A gente pede, clama, suplica por justiça, porque vive a realidade violenta enfrentada pelos povos indígenas. São ocorrências muito cruéis e estamos indo em direção ao etnocídio dos Gaurani-Kaiowas porque querem acabar com esse povo que não desite de lutar pela terra e pela vida", lamenta a indígena Tremembé do Maranhão, Küna Yporã, Raquel Aguiar Tremembé, dirigente licenciada da Secretaria Executiva nacional da CSP-Conlutas. 

Sangue indígena está sendo derramado de forma bárbara e parece que nada se faz, a sensação é de revolta com essa impunidade.

No Maranhão, em menos de 15 dias aconteceram 3 assassinatos na terra indígena de Arariboia. Os crimes são exibidos e investigados de forma artificial, é mais um apenas. É um absurdo.

“É preciso cobrar esses assassinatos, prender os mandantes e os assassinos. Não queremos etnocídio e genocídio dos povos indígenas", exigiu Raquel Tremembé.

 

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