100 dias da invasão russa: resistência operária ucraniana persiste

100 dias da invasão russa: resistência operária ucraniana persiste

A CSP-Conlutas apoia a organização de defesa da classe trabalhadora e repudia agressão de Putin, da União Europeia e da OTAN

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Por: Sâmia Teixeira

Nesta sexta-feira (3), a invasão russa na Ucrânia completa 100 dias. Conforme dados publicados pela ONU nesta data, 90% da população do país está sob risco iminente de cair na pobreza.

A avaliação é a de que as ofensivas militares no país acabaram com 20 anos de políticas sociais, deixando 15,7 milhões de pessoas em condições de dependência de ajuda humanitária.

Enquanto cerca de um terço da população deixou a Ucrânia forçadamente, há uma parte significativa que não pode sair do país. Essas pessoas resistem tanto na linha de frente da resistência militar quanto nos cuidados das famílias. Isso em situação crítica de distribuição de água e energia, e de sistema de atendimento médico. Desde a invasão russa e os bombardeios aéreos, mais de 260 instalações médicas de saúde foram atacadas, conforme indicou em matéria o jornalista Jamil Chade.

Com a resistência mantida na capital Kiev, nesses cem dias os russos têm destruído a região leste do país. Em Luhansk, segundo o governador local Serhiy Gaidai, tudo vem sendo destruído como hospitais, escolas e estradas.

Similar ao que ocorre em Mariupol, a população também decidiu ficar. Soldados ucranianos têm se mantido em uma área industrial da região.

Apesar de o local estar na região de Donbas, um dos centros industriais mais importantes da Europa, o território foi devastado pelas forças russas. 

 

Regiões do leste ucraniano foram devastadas | Foto: Creative Commons UNDP

Regiões do leste ucraniano foram devastadas | Foto: Creative Commons UNDP

 

O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que nesta localidade morrem diariamente cerca de 100 ucranianos, vítimas dos ataques de Vladimir Putin.

Na cidade natal de Zelensky, Kryvyi Rih, segundo o Ministério da Defesa da Ucrânia, a Rússia "intensificou o reconhecimento aéreo e as tentativas de operações de assalto".

Foi para esta região da Ucrânia que a CSP-Conlutas, em iniciativa conjunta com os camaradas da França (Solidaires), Itália (ADL Cobas), Polônia (IP – Inicyatywa Pracownicza), Lituânia (G1PS) e Áustria (RCIT), doou cerca de 800 quilos de donativos via o Comboio organizado pela Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas.

Os suprimentos foram encaminhados e distribuídos pelos militantes da organização Sotsyalnyi Rukh e do Sindicato Independente dos Metalúrgicos e Mineiros da cidade de Kryvyi Rih. Esse sindicato representa os trabalhadores da maior mineradora de ferro da Ucrânia cujos filiados se juntaram às "Forças de Defesa Territorial”. A delegação internacional da CSP-Conlutas também entrou em contato com sindicalistas ferroviários, construção civil, professores e estudantes.

Posicionamento da CSP-Conlutas

Desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro, a Central se coloca contrária à invasão de Putin e apoia a resistência dos trabalhadores e do povo ucraniano que enfrentam as tropas russas nessa guerra, sem que isso represente nenhum apoio nem confiança política no governo de Zelenski ou na burguesia ucraniana.

Como divulgado em resolução deliberada na última Reunião da Coordenação Nacional da entidade, “hoje o imperialismo alemão é o principal financiador do esforço de guerra russo através da importação de gás e petróleo daquele país. Por outro lado, os países que integram a OTAN se recusam a prover armamento pesado para a resistência ucraniana”.

Além disso, nada foi feito para expropriar os bens da oligarquia russa no exterior e voltá-los à reconstrução da Ucrânia. Também nenhum passo foi tomado para cancelar a dívida externa ucraniana. Mais que nunca é necessário lutar pelo desmantelamento da OTAN e da CSTO, alianças militares usadas para dominar os povos oprimidos, bem como pela desmobilização de todo o arsenal nuclear da OTAN e da Rússia.

Apoio internacionalista

A CSP-Conlutas integrou o comboio de Ajuda Operária à Ucrânia, construído pela Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas, uma atividade histórica para o movimento operário internacional, que fortalece o perfil internacionalista da nossa central e que não deixa dúvida que estamos ao lado da resistência.

A resistência ucraniana neste momento necessita da solidariedade ativa e isso se traduz no envio de recursos para sustentar materialmente os trabalhadores que estão nas fileiras da resistência ucraniana contra os ocupantes russos. Por isso, a CSP-Conlutas conclama as entidades e trabalhadores de base representados pela central a se engajarem em uma campanha nacional de arrecadação financeira para o “Fundo de Ajuda Operária à Ucrânia” via PIX da CSP-Conlutas - financeiro@cspconlutas.org.br ou via crowdfunding (vaquinha virtual) - https://abacashi.com/p/ajudaucrania 

 

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