Entrevista: Nara Cladera, da central francesa Solidaires, fala sobre o 4º Encontro da Rede Sindical Internacional

Entrevista: Nara Cladera, da central francesa Solidaires, fala sobre o 4º Encontro da Rede Sindical Internacional

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Por: Sâmia Teixeira

“A RSISL (Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas) é uma ideia louca, que ganhou concretude em março de 2013.” Assim descreveu a Rede nossa camarada Nara Cladera, integrante da RSISL e sindicalista da central francesa Union Solidaires.

Nara nos concedeu uma entrevista para falar sobre o que se espera do 4º Encontro da Rede, que terá início nesta quinta-feira (21), a partir das 13h de Paris (8h horário de Brasília), a trajetória da organização e iniciativas atuais, como o Comboio Sindical Internacional para a Ucrânia, que acontecerá logo após o Encontro.

Caixa de ressonância das lutas

Quando Nara retrata a Rede “como uma ideia louca”, ela o faz para explicar sobre como nasceu e como é formada a entidade, que é feita de organizações anarcosindicalistas, trotskistas e tantas outras que se reconhecem em diferentes tipos de visões sobre as lutas e que, por serem assim diversas, são a essência da Rede que, segundo a dirigente, pretende atuar sem qualquer traço de sectarismo.

“Este projeto que parece ser um pouco louco se trata de um trabalho internacionalista de diversos horizontes, não somente de múltiplas latitudes e longitudes, mas de histórias e culturas sindicais diferentes. Isso é possível porque temos uma base comum forte. Nos reconhecemos em um sindicalismo de luta que seja ferramenta da transformação social radical da sociedade. Levantamos as bandeiras das lutas anticapitalistas, feministas, anticolonialistas, antirracistas, pelos LGBTIQ+ e pelo meio ambiente. Toda esta base comum fez com que fosse possível tomar esta iniciativa, lá em 2013, em Saint Denis, a partir da CGT espanhola, da CSP-Conlutas do Brasil, e da Solidaires da França”, resgatou Nara.

Ela explica que, por esse motivo, o objetivo maior desta organização internacional “não é o de dar visibilidade para a Rede, mas sim, e sobretudo, dar visibilidade, por meio da Rede, para as lutas do mundo todo”.

Lutas pós-pandemia

Apesar de longos dois anos de pandemia e do atraso que a crise sanitária implicou no já planejado 4º Encontro, durante este período a Rede decidiu não parar a organização das lutas da classe trabalhadora.

Na avaliação que faz a Rede, este foi justamente um momento muito importante, em que foram organizados encontros online, e uma grande plenária, em 2021, que reuniu mais de 100 ativistas do mundo inteiro. As discussões abordaram temas como feminismo, colonialismo e sobre as mobilizações de variadas categorias. Dessa maneira foi possível conversar, compartilhar experiências e, pouco a pouco, seguir tecendo solidariedade entre nós trabalhadoras e trabalhadores.

Nara considera que estes dois anos de pandemia escancarou “o fracasso rotundo do neoliberalismo e do capitalismo”. “Começamos esse 4º Encontro dizendo: ‘sim, temos razão, o capitalismo não é a solução. Ele nos leva contra o muro, à deterioração do meio ambiente, à pobreza generalizada das trabalhadoras e dos trabalhadores’. Este é para nós um momento histórico que o planeta vive, de tomada de consciência coletiva, e penso que será muito frutífero para a construção a Rede”, compartilhou.

Para este 4º Encontro, cerca de duzentos sindicalistas de ao menos trinta países se reunirão para discutir e compartilhar opiniões e experiências sobre suas lutas locais e setoriais, como os das trabalhadoras e dos trabalhadores em educação, ferroviários, bancários, do comércio, da saúde, jornalistas, etc., e também as lutas populares que nos atravessam, como a das mulheres, de autogestão/controle dos trabalhadores, meio ambiente, colonialismo, etc.

Organizações com mais dificuldades financeiras receberam apoio para poderem estar presentes no evento.

Logo abaixo, assista à entrevista e saiba mais detalhadamente sobre a programação dos dias do Encontro. Nara também aproveitou a conversa para explicar a ida do Comboio Sindical Internacional de apoio à resistência operária ucraniana.

Mais sobre a RSISL:

Criada em março de 2013 com base nas orientações e práticas sindicais comuns das centrais sindicais Solidaires da França, da CSP-Conlutas do Brasil e da CGT do Estado espanhol, a RSISL é feita por diversas organizações de todos os continentes, que têm como objetivo reunir os sindicatos de luta em todo o mundo, em uma rede de sindicalismo combativo e democrático, autônomo e independente dos patrões e governos, pelo meio ambiente, internacionalista, com o objetivo de construir mudanças através de lutas coletivas, contra todas as formas de opressão.

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