11J: Ativistas e organizações cubanas e internacionais fazem apelo por solidariedade aos presos políticos

11J: Ativistas e organizações cubanas e internacionais fazem apelo por solidariedade aos presos políticos

  • Facebook
  • Twitter

Um grupo de ativistas de esquerda em Cuba publicou um chamado por solidariedade internacional com os manifestantes injustamente condenados desde os protestos de 11 de Julho de 2021 e as mobilizações que se seguiram após a data.

Este movimento exige ainda o estabelecimento de uma Lei de Anistia para os condenados injustamente, “como um passo necessário para abrir as portas a um socialismo verdadeiramente democrático e igualitário”, diz o documento.

De acordo com a Procuradoria Geral do país, um total de 790 pessoas foram processadas, incluindo 55 entre 16 e 17 anos de idade.

Nós da CSP-Conlutas reiteramos: é preciso seguir com a campanha até que todos estejam livres. Iniciamos uma campanha internacionalista em 2021, em que apoiamos a luta do povo cubano e repudiamos o boicote americano e a ditadura de Cuba contra o povo e os militantes que se mobilizam por direitos.

Na nota de solidariedade internacional, foi destacado que “se de um lado, Cuba está há décadas sofrendo um severo e inaceitável boicote econômico por parte dos sucessivos governos americanos, incluindo Joe Biden, que submete o país a imensas dificuldades e privações econômicas e humanitárias, do outro, o fato é que, há um processo de restauração capitalista na Ilha que vem de muitos anos sendo imposto pela burocracia que a governa”.

Por se tratar de uma conjuntura, como grande parte da atualidade global, muito complexa, é preciso que seja analisada com cuidado. “É claro que o imperialismo vai ‘cumprir seu papel’ e cubano-americanos de Miami vão tentar se apropriar do sentimento das ruas de 11/07/2021. Desde 1994, a direita cubana radicada nos EUA não tinha uma oportunidade política tão fértil para sua militância contrarrevolucionária”, alerta a nota.

“O imperialismo ao mesmo tempo produz a crise e se beneficia das dificuldades internas do país. O bloqueio dos EUA representa uma parte importante dessa crise, não há dúvidas. Mas é um erro atribuir o problema exclusivamente ao bloqueio. A Central Sindical e Popular CSP-Conlutas se solidariza com a luta do povo Cubano. Todo apoio a luta e revolta do povo! A fome dói, a luta é legitima!”

 

Confira abaixo o manifesto por solidariedade internacional:

 

Ao povo cubano e à esquerda internacional

Em Cuba manifesta-se uma profunda crise estrutural. Essa crise, em meio a uma acentuada precariedade da vida, levou parte dos cidadãos às ruas, nos dias 11 e 12 de julho de 2021. As sanções hostis dos EUA, no quadro de uma política de agressão e bloqueio que já chega a 60 anos, a incapacidade da administração do país em atender às necessidades mais básicas da população e o descaso com as demandas sociais, políticas e econômicas da sociedade civil, contribuíram para a agudização dessa situação e geraram uma crescente perda de confiança no discurso governamental.

A decisão de comercializar bens fundamentais em moeda estrangeira no mercado interno, alheios às possibilidades de acesso da maioria, e os efeitos da pandemia, exacerbaram, com razão, a inconformidade de setores afetados pela pobreza e marginalização, relacionados ao local de residência, a cor da pele, o gênero e outras categorias de exclusão. A crise econômica e política que o país atravessa também se expressa na deterioração gradual dos indicadores sociais de saúde, educação, esporte e cultura. Esta decadência precipita o êxodo massivo de jovens, com as consequências que isso provoca nas famílias cubanas e na economia em geral.

Nas manifestações de julho, as maiores desde 1959, houve comportamento violento e confronto físico de ambos os lados, tanto das forças policiais e de grupos de apoio ao governo quanto de alguns grupos de manifestantes. Enquanto estes últimos têm sido submetidos à criminalização e práticas punitivas, evidenciadas no discurso oficial e sentenças desproporcionais, como medidas claras e exemplares para prevenir cenários semelhantes no futuro, setores simpatizantes do governo, policiais e responsáveis ​​pela repressão e excessos de violência do Estado permanecem impunes.

No mês de março, foram realizados dois julgamentos pelos protestos. O primeiro para aqueles realizados pelos setores pobres de Esquina de Toyo e La Güinera em Havana, onde 127 pessoas foram condenadas em um julgamento em massa com penas de até 30 anos —  1916 anos no total —, oito deles com idades entre 16 e 17 anos. O segundo para os protestos em San Antonio de los Baños contra 17 manifestantes com penas de até 10 anos.

Entre estes últimos, destaca-se os seis anos de prisão de Yoan de la Cruz Cruz, um dos primeiros jovens a transmitir os protestos ao vivo nas redes sociais. A decisão garante que «ele transmitiu ao vivo nas redes sociais o que estava acontecendo, o que fez com que tais atos fossem vistos dentro e fora do país e que as ações nocivas fossem imitadas em diferentes municípios e províncias».

De acordo com a Procuradoria Geral da República, um total de 790 pessoas foram processadas, incluindo 55 entre 16 e 17 anos.

Ao mesmo tempo, diversos setores e ativismos da sociedade civil são constantemente assediados pelas autoridades. Essa perseguição e vigilância toma forma no aparato de segurança policial, que se caracteriza por atuar à margem da legalidade constitucional e atentar contra a dignidade das pessoas. Tudo acontece em um cenário de absoluta impunidade, diante da ausência de garantias legais para o exercício da livre associação, entre pessoas e grupos de cidadãos preocupados com a participação no espaço público. O ciclo de repressão se completa com o uso da mídia para desacreditar reputações, rotular toda dissenso como mercenarismo e deslegitimar qualquer pessoa ou organização que questione a realidade. A direita apoiada pelos Estados Unidos e a favor de seus ataques existe, aqui não estamos falamos dessa direita.

Diante deste contexto, as pessoas, grupos e organizações que subscrevem este documento, tanto de Cuba como internacionalmente:

Fazemos um chamado à solidariedade internacional com os manifestantes injustamente condenados.

Solicitamos uma Lei de Anistia para as pessoas injustamente condenadas, como um passo necessário que abra as portas para um socialismo verdadeiramente democrático e igualitário.

Rua Boa Vista, 76 – 11° andar CEP: 01014-000 - Centro - São Paulo/SP
Telefone: (11) 3107-7984 - secretaria@cspconlutas.org.br
© CSP-Conlutas - Todos os direitos Reservados.

  • Facebook
  • Twitter
  • Youtube
  • Instagram
  • Flickr
  • WhatsApp