Trabalhadores dos Correios discutem greve nacional e definem os próximos passos da luta

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Durante o 3° Congresso da CSP-Conlutas, a delegação de trabalhadores dos Correios realizou na sexta-feira (13) a primeira reunião nacional sobre a última greve, terminada semana passada. Foram discutidos, além da greve, os próximos passos da luta contra o projeto de privatização da empresa, maior ameaça à categoria. Os ecetistas foram a primeira categoria nacional a enfrentar o governo após a votação da Reforma Trabalhista, obrigando a burocracia sindical, dirigida pelo PCdoB e o PT, ir à luta.

Categoria fortalecida

Com muita mobilização e disposição, os ecetistas mostraram que não se deixam levar pelo terrorismo do governo. O presidente Guilherme Campos, através do Tribunal Superior do Trabalho (TST), declarou a greve abusiva descontando os dias parados das trabalhadoras e trabalhadores. Mas a categoria não se intimidou, enfrentou tudo isso e garantiu a manutenção de todas as cláusulas sociais do acordo coletivo, que, entre outras coisas, garante a manutenção do suporte social – como o plano de saúde – e a reposição salarial de 2,07%.

Para entender a força dessa conquista, é necessário antes citar os inimigos dos ecetistas.   Nacionalmente, as trabalhadoras e trabalhadores dos Correios são representados por duas federações: a Fentect, composta por 31 sindicatos, e a Findect, com 5 sindicatos, entre eles os de São Paulo e Rio, os maiores do país.

Enquanto a Fentect é composta por diversas correntes, e, mesmo com parte da direção nas mãos da CUT e outras centrais, tem mobilizado a base nas lutas em defesa dos direitos. Já a Findect faz justamente o papel contrário: o de um braço da direção da empresa. Dirigida pelo PMDB e o PCdoB, ela é responsável por frear a luta da categoria nos últimos anos.

A política da Findect é, no mínimo, criminosa: os representantes dos sindicatos de São Paulo chegaram a visitar unidades da empresa em uma tentativa de mostrar como a greve traria malefícios à situação nacional. Mas a categoria nas bases da Findect rechaçou esta política, exigiram assembleias dos sindicatos e entrou na greve. Mesmo tendo sido uma semana depois que os sindicatos da Fentect já tinham entrado, fortaleceram a luta nacional.

Foi essa força que fez a direção da empresa e TST recuarem de todos ataques e refazerem a proposta final.

A militância da CSP-Conlutas tinha consciência que esta campanha salarial seria difícil frente a conjuntura, que ataca os direitos dos trabalhadores e promove o desemprego de 23 milhões de pessoas, mas não se intimidou. Outro elemento fundamental para a vitória foi a unificação da categoria numa única data de greve e único calendário de lutas.

A luta continua

Contudo, as ameaças ainda não pararam. Os Correios continuam sob a sombra da privatização, além de na prática, estar sendo cada vez mais precarizado Um exemplo disso é o plano de saúde da categoria, que os Correios querem impor uma cobrança de mensalidade. Isso não apaga a disposição das trabalhadoras e trabalhadores. Pelo contrário: frente à mobilização das últimas semanas, a categoria prepara os próximos passos.

“O congresso tem sido muito positivo para nos formar para os próximos passos na luta e afirmar a CSP-Conlutas como alternativa independente e classista” comenta Geraldo Rodrigues, da Oposição Muda Sindicato de São Paulo e membro da comissão de finanças da Fentect. “Agora é voltarmos para nossas bases e preparar a luta”.

Solidariedade Internacional

Participaram da reunião duas comissões internacionais de trabalhadores dos correios da Tunísia e da Palestina. Ambas, além de prestarem solidariedade internacional, falaram um pouco da situação em cada país.

A comissão da Palestina falou da situação da empresa, hoje completamente privatizada e com 700 trabalhadores na base. Eles enfrentam, além das péssimas situações de trabalho por falta de contratação, a opressão do estado de Israel, que massacra o povo palestino. Já a comissão da Tunísia foi contundente sobre as conquistas da categoria. “Tudo o que temos é resultado da nossa luta. Como o governo sabe que mexer conosco é ir para o combate, acaba que temos certas conquistas que outras categorias na Tunísia não têm. Porém, isso é fruto no nosso combate contra a patronal, e não um presente do governo”, contou um dos membros.

Texto e fotos: Tácito Chimato

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