A CSP-Conlutas representa classe trabalhadora em seus diversos perfis: todos numa só mesa

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Ainda na mesa de abertura do 3º Congresso Nacional da CSP-Conlutas, a integrante do movimento por moradia Luta Popular, Helena Silvestre, sintetizou o poder de resistência dos trabalhadores e do povo brasileiro. Contudo, também expressou a concepção de nossa Central de enfrentar os desafios que estão postos para a nossa classe com um todo num país que rege sua economia e direitos de forma absolutamente desigual.

“Quando o cenário foi de escravidão, fizemos os quilombos. Se há exploração, há greves. Quando há repressão, há resistência. Nos disseram que seria impossível evitar o aumento das passagens, e nós tomamos as ruas em 2013. Nos disseram que não conseguiríamos fazer uma greve geral, e nós fizemos a maior da nossa história em 28 de abril desse ano. Disseram que seria impossível evitar a privatização das escolas, e os estudantes fizeram centenas de ocupações. Disseram que os indígenas não conseguiriam intervir sobre a privatização do Parque do Jaraguá, e eles tomaram as torres de comunicação do Pico, deixaram mais de 600 mil pessoas no estado de SP sem sinal, e conseguiram ser ouvidos”, afirmou a dirigente.

A CSP-Conlutas abarca hoje diversos setores da classe trabalhadora. Além do setor sindical com operários, funcionalismo público, de serviços e outros, são trabalhadores rurais, pequenos agricultores e que lutam por reforma agrária; são setores mais empobrecidos como o que lutam por moradia na cidade e os que lutam por seus territórios como quilombolas e povos indígenas; é a juventude. Uma concepção de organização que surge desde seu início e vem avançando no decorrer desses 11 curtos anos de existência.

“Não é autoproclamação afirmar que a CSP-Conlutas é uma experiência inédita de Central e Popular no Brasil, mas um motivo de orgulho”, disse também emocionado o dirigente da Secretaria Executiva Nacional Paulo Barela ao final de uma das mesas que talvez mais tenha demonstrado essa representação e impactado o plenário do congresso: a mesa com representantes da luta contra as opressões, da juventude, movimento operário, sindical, movimento popular e luta por territórios, realizada no domingo (15).

Confira um pouco das principais falas dos que compuseram a mesa:

Carlos Daniel, representando as LGBTs:

“Querem ideologizar como natural, o papel do homem e o da mulher, mas nós não queremos. O Estatuto da Família diz que não somos [LGBTs] reconhecidos como família; nos deparamos com o projeto da Cura Gay e não temos confiança no poder judiciário ao dizer que permitem que essas pessoas sejam tratadas. O sistema capitalista nos mata a cada dia, mata a nossa classe.  Por isso, é fundamental que Central faça a nossa luta, que é necessária. A nossa classe tem cor, gênero e orientação. A luta das LGBTs é a luta da classe trabalhadora”.

Hertz Dias, do Quilombo Brasil:

Contestou os que afirmam que há uma onda conservadora no país e afirmou: “Por baixo dessa onda tem corpos de negros submersos”. Assim, chamou a resistência: “A CSP-Conlutas tem de ser contaminar pelos setores mais atacados. Nós organizamos as senzalas, nós organizamos os quilombos. Nunca vi um semestre tão explosivo quanto este último que fizemos a maior Greve Geral do país. E se existe um laboratório neste país da luta de classes, somos nós, porque a classe trabalhadora é majoritariamente negra. Viva a luta do povo negro”.

Marcela Azevedo – MML (Movimento Mulheres em Luta)

“Educar o conjunto dos trabalhadores que lutar contra a opressão não á apenas uma tarefa dos oprimidos, mas do conjunto da nossa classe”, alertou.

“A CSP-Conlutas foi capaz de enfrentar o primeiro governo de uma mulher e se enfrentar com esse governo. Isto porque somos do estofo classista e socialista. O 8 de Março [Dia Internacional de Luta das Mulheres] mostrou que mais uma vez que as mulheres protagonizam a luta dos trabalhadores. Pra nós, não há outro caminho da emancipação que não seja destruir o capitalismo. E não há como destruir o capitalismo sem as mulheres. Essa unidade é necessária para sermos vitoriosos. É a unidade com os da nossa classe”.

Abel Barreto, trabalhador rural de Duartina (SP)

“Nós trabalhadores rurais lutamos muito por salário, por emprego, mas a luta do campo arrebenta cercas, arrebenta porteiras para tirar das mãos dos proprietários o que é nosso de direito. E nós, do campo e da cidade, fazemos juntos essa luta”.

Leanir  “Raposão”, do movimento popular Nós da Sul

“Podemos resolver a crise do país arrancando cada vagabundo político do poder. Aqui tem guerreiros e guerreiras que não aguentam mais ser tratados como lixo, como esgoto. Aqui dentro não estão nossos inimigos, nossos adversários, aqui é a fonte de onde matamos a nossa sede e tiramos a nossa fonte de luta. A partir das 14 horas de hoje [quando acabaria o congresso], vamos pras ruas, pras bases pra fazer com que a coisa mude. Aqui, adquirimos experiência e força para mudar esse país”.

Irene Maestro, do movimento Luta Popular

“Nós, do Luta Popular, buscamos desenvolver pequenas organizações de poder popular. Na ocupação Esperança, que vocês viram um vídeo há pouco, nós discutimos onde seriam as ruas, as praças, por onde passaria o esgoto, onde colocar o bairro. É uma forma de o povo perceber a força que a sua luta e a sua organização tem. Na Greve Geral podemos unir indígenas e sem teto para fazer piquete em fábricas e fazer trancamentos de rodovias”.

Inaldo Serejo, do Movimento Quilombo do Maranhão

“Conhecemos o duro golpe do capitão do mato, dos Bandeirantes, nossos corpos são atravessados por chumbo, não são apenas balas de borracha, ao longo de 500 anos. Somos povos que continuamos resistindo apesar de toda a violência, da política de extermínio e do genocídio. Milhares de indígenas foram assassinados pelas balas do sistema, para dar lugar ao que esse mesmo sistema chama de progresso. Mas tem um segredo que eles não sabem: nós somos sementes crioulas, caboclas! Apesar dos brutais assassinatos de índios, travestis, quilombolas, trabalhadores, outros milhares surgirão. Nós não morremos. Os que têm o sangue derramado seguem com a gente na luta”.

“Outros outubros virão, mas plenas de manhãs e sol e de luz já estão acontecendo quando os quilombolas e os indígenas estão retomando seus territórios, as LGBTs estão explodindo seus armários e dizendo estamos aqui. São os nossos corpos que rasgam a barreira do imperialismo e a violência do sistema”.

Alexandre Lopes, do SOS Emprego

“Mesmo em meio às mazelas que estamos vivendo no estado do Rio de Janeiro e na região Norte do país, estamos unidos pra lutar por um só propósito. Essa luta começou com a demissão dos trabalhadores do Comperj, que deixou toda uma categoria passando por situações que a grande maioria não sabe, mas resistimos e insistimos em lutar e a tarefa da CSP-Conlutas é nos orientar nesta luta.”

Eduardo Cruz do SOS Emprego de Sergipe também falou e apresentou carta ao público do SOS Emprego naquele estado.  

Davi Lobão – Servidor público e da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas

“Ataque ao serviço público é um ataque aos direitos do povo pobre, do povo trabalhador da mulher negra. Hoje está em curso um dos maiores ataques aos serviços públicos que é a reforma da Previdência. É a destruição da previdência pública, fazem isso porque querem uma sociedade para poucos. A defesa do serviço público é a defesa do servidor público e a luta do servidor público tem de ser abraçada. Viva a luta do servidor público!”.

Pamela Fagundes, da ANEL

“É importante e estratégica a aliança operária estudantil e aprendemos com cada companheiro neste congresso. Por isso se de um lado tem uma burguesia feroz nos atacando, não podemos nos enganar, dizendo que não podemos lutar. Tem uma juventude que ousa lutar e os secundaristas ocuparam escolas. Essa juventude é essa geração que vem mudando a situação do país. É por isso que não adianta só lutar nas escolas, para avançar é preciso destruir sistema que nos oprime cotidianamente”.

Camila Souza – Juntos

“Participar deste passo é encher o peito de esperança que é possível reorganizar a esquerda e lutar esse país. Aos que dizem que só existe o conservadorismo convido a pisarem em uma escola secundarista para ver que há organização por baixo, fizemos muitas e muitas lutas esse ano. É fundamental a unidade para colocar em prática os sonhos revolucionários. Aqui está a juventude piqueteira que ocupa escolas e que os trabalhadores podem contar para distribuir panfletos nas fábricas, no metrô e enfrentar as reformas reforma Trabalhista e da Previdência”.

Osmarino Amâncio, seringueiro do Acre e dos Povos da Floresta

“Já no final dos anos oitenta, a gente tinha que lutar pra defender nosso território contra o latifúndio no Acre. Seringueiros queriam saúde e os índios também, foi aí a aliança dos Povos da Floresta. Unir campo, cidade, quilombola, índígenas, LGBTs, juntar todo mundo, pois a dor é uma só e o gemido é mesmo: Revolução, Revolução!”

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