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Contagem (MG)

Ocupação Willian Rosa é tema de Audiência Pública. Desocupação é iminente!

22/10/2013


A iminência de reintegração de posse da Ocupação Willian Rosa, em Contagem (MG); o descaso das autoridades com o destino das 3.900 famílias que estão acampadas no local; o déficit habitacional na região. Todas essas questões foram abordadas em Audiência Pública, nesta quarta-feira (23), às 9h, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.  Estarão presentes representações do Estado, do Município, do Governo Federal, do Ceasa, e da Policia Militar.

 

Já foi expedida liminar de reintegração de posse pelo juiz da 4ª Vara Cível de Contagem, André Luiz Tonello de Almeida. A desocupação pode acontecer a qualquer momento. “A ameaça de despejo existe, em caráter de urgência. Nós estamos fazendo assembleias com as famílias que estão dispostas a resistir”, explica uma das lideranças da Ocupação, Lacerda Santos. 

 

O militante diz ainda que a luta por moradia e as ocupações são fruto da ineficácia dos governos.   “Qualquer ação violenta que venha acontecer na ocupação será responsabilidade do governo”, afirma. Além das 3.900 famílias, há uma lista de espera de mil pessoas. “Com isso, a gente percebe o problema grave do déficit de habitação na região”, completa.

 

O terreno pertence ao governo federal e estava sob a responsabilidade do CEASA/MG. Há cerca de 40 anos o local ficou abandonado, servindo para descarte de entulho e lixo, sem nenhuma função social. A área possui cerca de 150 mil metros quadrados numa localidade onde a falta de moradia popular é um dos principais problemas da população.

 

Veja, abaixo, nota sobre do Movimento  Luta Popular sobre a Ocupação Willian Rosa

 

Somos Todos Willian Rosa!

 

Por um Sonho Nos Movemos!

 

Nem um passo atrás!

 

Na noite do dia 11 de outubro, na véspera do dia das crianças, decidimos dar a nós mesmos, trabalhadores e trabalhadoras, o presente que queremos para que nosso futuro seja digno.

 

Centenas de famílias ocuparam uma área onde reinava o vazio, onde reinava o lucro, onde reinava a especulação e o abandono para dar à terra um sentido novo, um sentido produtivo, de vida e de luta.

 

Libertando a terra dos grilhões do especulador, das amarras da burocracia dos governos, libertamos, nós mesmos, nossas esperanças quando nos deparamos com nossa própria força.

 

Com a força de nossos braços edificamos aquilo que hoje se parece com uma pequena cidade de lona e coragem. Ao que passa apressado pelas ruas e avenidas que nos cercam, fica quase invisível o que há de mais numeroso neste lugar: não são os plásticos, não são os barracos, não são as dificuldades; não! O que hoje abunda nesse pedaço de chão é gente, gente com garra, gente com força, gente com valentia, gente que cansou de esperar que o futuro venha ao nosso encontro e decidiu dais às ruas para persegui-lo. Homens e mulheres pobres, das periferias pobres, que aprenderam o sentido do refrão que entoava a certeza: “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

 

Pois bem, fazendo nossa hora agimos e nossa ação diz que queremos moradia, que não aceitaremos morar em buracos enquanto os poderosos especulam com nossas vidas, que não deixaremos que os dias e noites sejam tranqüilos para aqueles que nos governam sob as leis do mercado, sob a lei do mais forte, sob a lei dos ricos, empresários e patrões.

 

Queremos que a riqueza produzida por nós todos e todas, os explorados da terra, seja compartida, dividida, usufruída por quem trabalha e constrói tudo o quanto a cidade tem mas a nós é negado.

 

Queremos que o governo federal – dono desta área – atue com força para garantir o direito à moradia destas famílias, pois que o direito a propriedade é defendido sem que peçamos.

 

Queremos que a prefeitura de Contagem – agente realizador da política nacional de habitação – atue com força para garantir o direito à moradia destas famílias, pois que o direito a propriedade já é defendido sem que peçamos, por força dos ricos e especuladores.

 

Queremos, por fim, que nossos sonhos – agora realidades de uma luta entre os que exploram e os que foram sempre explorados – sejam parte do futuro que daremos às nossas crianças, pois que a partir do dia 12 de outubro de 2013, dia das crianças, demos aos nossos filhos o direito de lutar, o direito de sonhar, o direito e buscar uma vida em que a propriedade valha menos que as pessoas.

 

Vida Longa à Luta do Povo Pobre!

Luta Popular