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Mahjeux: “Encontro é importante para impulsionar lutas”

02/05/2012


“Encontro é importante para impulsionar uma coordenação internacional dos sindicatos de luta”

 

Recém chegado ao Congresso da CSP-Conlutas, Christian Mahjeux, secretário nacional da União Sindical Solidaires fala sobre o movimento dos trabalhadores na França, dos imigrantes “sans papier” (sem documentos) e a posição da sua organização frente ao segundo turno das eleições presidenciais no seu país.

 

Quando surgiu a Solidaires e como ela atua?

 

A Solidaires é uma das 8 organizações sindicais da França. Trata-se de uma organização interprofission

al, o que significa que ela agrega trabalhadores e trabalhadoras de todas as áreas profissionais no país, vindos de diferentes setores, sejam eles de funções públicas ou privadas. Somos também o único sindicato de assalariados na França a englobar um sindicato de estudantes que não são assalariados, quer dizer, eles estão sindicalizados somente como estudantes.  Embora haja centenas de uniões estudantis, a Solidaires é a única organização de trabalhadores a abranger um sindicato de estudantes. Hoje temos cerca de 100 mil sindicalizados.

Os sindicatos que compõem a Solidaires vêm de diferentes histórias sindicais. Pode-se dizer que a Solidaires tal como existe hoje em dia é essencialmente o resultado do que se passou após uma grande greve de trab

 

alhadores interprofissionais que ocorreu na França, em 1995, com a eclosão de vários novos sindicatos que vieram a constituir a Solidaires. Somos, então uma organização sindical que formalmente, com o nome Solidaires, não tem mais de dez anos,  e que se compõe de sindicatos relativamente novos. Portanto, é uma organização sindical razoavelmente jovem.
Qual o papel da Solidaires na luta de classes?

 

Somos um sindicato que se reivindica de luta de classes evidentemente, e participamos, tentamos desenvolver e apoiar ações sindicais da maneira mais intensa possível no setor profissional em que estamos e, também, em relação à situação global. Ele compreende movimentos interprofissionais, movimentos de greve geral como em 2009 e 2010, sempre inserido no movimento das manifestações interprofissionais de maneira forte, unindo-se com outros setores, outros sindicatos, tentando transformar em greve geral as reivindicações setorizadas. Tentamos efetivamente globalizar o movimento, para que não haja simplesmente greves setor por setor, mas antes coordenadas para fazer um grande movimento em nível nacional e interprofissional.

Qual a relação do Solidaires com a CSP-Conlutas?

 

Mantemos contato estreito há mais de dois anos com os camaradas da Conlutas, desde quando participei do Congresso em Santos. E teve uma delegação da CSP-CONLUTAS que participou de um Congresso do Solidaires organizado ano passado na França. Decidimos em conjunto tentar trabalhar uma coordenação internacional de sindicalismo de luta, um termo que é um pouco geral, mas significa que é um sindicalismo que não se vende. Quero dizer que temos em comum uma prática de luta de classe, e uma participação da base do sindicalismo maciça. Então tentamos estabelecer uma coordenação internacional conjunta ao final do Encontro Internacional que será realizado depois deste congresso.

 

 

Esta reunião é da maior importância para a questão internacional do sindicalismo e ao mesmo tempo, aí compreendidos nossos sindicatos de luta, digo que é complicado realizar atividades internacionais frequentes, que são sempre reservadas a uns e outros, mas não ao conjunto da massa do sindicato. Por isso desejo que a atividade internacional torne-se algo corriqueiro. Mas este encontro é importante para impulsionar efetivamente a busca de uma coordenação internacional dos sindicatos de luta. Nós na Europa também temos um trabalho que existe há dez anos em que a ideia é a de tentar de fato ultrapassar uma etapa e chegar a construir uma rede mundial, mesmo que no princípio ela seja pequena. De resto, teremos no final do segundo semestre ou em princípios do começo do outro ano, uma reunião internacional em Paris, que ocorre pela primeira vez em nível internacional, em conjunto com a CSP-CONLUTAS, para reforçar e implementar esta coordenação internacional.

 

 

O que o Solidaires faz diante dos ataques da direita contra os trabalhadores em geral e contra os imigrantes em particular? O sindicato tem um trabalho neste sentido na França, onde o problema assume proporções quase trágicas?

 

Acreditamos que não há diferença se o trabalhador é francês ou imigrante, e mais do que isso, temos um trabalho especial sobre, e em conjunto com os trabalhadores imigrantes sem documentos, ou clandestinos, como é chamado oficialmente, que vivem na França, sobretudo na região de Paris. Não apenas nosso sindicato, mas outros, incluindo a CGT, têm apoiado o movimento de greve dos imigrantes, pois isso faz parte do sindicalismo. Dentro do nosso sindicato há camaradas “sans papier” e há casos em que depois das greves eles criaram sindicatos Solidaires nos seus locais de trabalho.

 

Qual a posição do Solidaires diante do segundo turno das eleições presidenciais na França, disputado entre Sarkozy e a social democracia?

 

Nós sempre combatemos o governo Sarkozy evidentemente, então ficaremos satisfeitos se ele não estiver mais no poder, e ao mesmo tempo temos uma oposição que não apresenta um programa satisfatório. Mas de qualquer jeito acreditamos que o sindicalismo tem um papel autônomo e independente das organizações políticas. O sindicalismo em si tem uma dimensão política no nosso ponto de vista, que se exprime pelo conjunto dos sujeitos e em seguida, o sindicalismo organiza efetivamente os trabalhadores e as trabalhadoras para constituir uma essência que o define. Então, nossa concepção de sindicalismo não é a de apoiar este ou aquele candidato nas eleições presidenciais. Nossa posição é a de desejar que Sarkozy saia do poder, mas de qualquer maneira, constatamos que o que a social democracia prevê não satisfaz as reivindicações da nossa organização sindical.