Partidos discutem as saídas da esquerda diante dos ataques e crise do PT e propõem Greve Geral

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Responsáveis por discutir a atual conjuntura política e social do país, os representantes dos partidos de esquerda que compareceram ao primeiro dia do 2º Congresso Nacional da CSP-Conlutas não decepcionaram a plenária nesta quinta-feira (04/06).

m quase duas horas de debate, as intervenções de Mauro Iasi (PCB), Luciana Genro (PSOL) e Zé Maria (PSTU) abordaram centralmente a encruzilhada em que se encontram todos os lutadores que buscam uma alternativa diante dos enormes ataques desferidos pelo governo Dilma e a direita contra a população.

Antes de apontarem suas visões sobre qual ação deve ser tomada pelas organizações, uma reflexão compartilhada por todos foi sobre a crise do PT e o esgotamento de seu projeto de poder.

A crise petista

“Precisamos deixar claro que não se trata de um problema apenas conjuntural, mas sim do fim de um ciclo”, pontuou Mauro Iasi no início de sua fala.

Luciana Genro resgatou a história dos partidos europeus identificados com a social-democracia para fazer um paralelo com o que vive hoje o PT. “O que ocorreu na Europa também se reflete no Brasil. Lá, esses partidos chegaram ao poder e fizeram algumas concessões à classe, logo depois retiradas para garantir os interesses do capital. O que fez o PT aqui? Deu apenas as bordas do bolo para a maior parte da população e agora retira”, se referindo à política compensatória dos governos petistas – colocada em prática através de ações como o Bolsa Família, Prouni, FIES e Minha Casa, Minha Vida.

Na opinião de Zé Maria um dos elementos mais importantes desse período é a ruptura da maioria dos trabalhadores brasileiros com o governo de frente popular petista. “Ao longo dos anos, a classe foi sendo convencida de que a solução para os seus problemas viria quando o PT chegasse ao governo. E era praticamente impossível criar nesse período uma alternativa por fora do PT. Hoje, esse enorme desgaste nos dá melhores condições de construir a partir de outro patamar uma alternativa à falsa polarização que vem existindo”.

Cortina de fumaça

Dentro deste cenário, foi importante a opinião dos ex-presidenciáveis (todos eles foram candidatos à presidência em 2014) sobre alguns dos principais argumentos usados pelos governistas para blindar o governo petista do enorme desgaste em curso.

O avanço da direita contra um governo supostamente de esquerda e algumas medidas em tese progressivas fazem parte do arsenal petista para amenizar o desgaste de Dilma diante da aplicação de um duro pacote de ajuste fiscal aos trabalhadores.

“A reforma política e a democratização dos meios de comunicação, defendidas pelo PT como a salvação para as insatisfações da população, desviam a atenção dos trabalhadores do que consideramos central: a luta de classes. O eixo da conjuntura é a defesa da vida e da dignidade”. Para Genro, uma das principais tarefas da esquerda é romper essa falsa dicotomia entre o que seria a direita tradicional (PSDB) e a velha “esquerda” (PT). “Existe uma alternância fictícia de poder que precisamos desconstruir”.

“Não temos direita de um lado e governo de esquerda de outro. Renan Calheiros, Kátia Abreu, Kassab, Maluf e Levy (Ministro da Fazenda), todos eles, estão dentro do governo. O que existe hoje no país são dois blocos da burguesia, que neste momento se unem para jogar a conta da crise sobre as costas dos trabalhadores”, afirmou Zé Maria. “A conversa de onda conservadora serve a um objetivo: blindar o governo Dilma”.

O ajuste fiscal aplicado pelo governo, que tem na aprovação das MPs 665 e 664 a sua maior expressão, foi bastante comentado. Para os três, a justificativa calçada na chegada da crise não se sustenta. “O governo se recusa a fazer ajuste naqueles que podem de fato ser reajustados, como os bancos”, acusou Genro.

“O governo liberou R$ 188 bilhões para o agronegócio, enquanto o corte que afeta os mais pobres supera os R$ 80 bilhões. Esse ajuste não é um esforço de todos, como Dilma diz, é a piora cada vez maior das condições de vida do povo mais pobre para garantir o lucro de banqueiros e grandes empresários”, lembrou Zé Maria.

A saída está na luta

Uma das principais defesas da CSP-Conlutas para o fortalecimento de uma alternativa da classe para a crise, todos concordaram que as transformações necessárias para mudar os rumos do país não passarão pelo Congresso Nacional e nem pelos governos eleitos recentemente. Pelo contrário, estão nas ruas e nas greves, na unidade dos setores explorados e oprimidos da classe.

A constatação de que os ataques vêm sendo acompanhados de muita resistência, com lutas heroicas de diversas categorias, demonstra que a chance de se construir uma alternativa dos trabalhadores é real. Uma vez que há muita resistência e radicalização das lutas, com greves diversas operárias sacudindo o país, pode-se chegar à conclusão que a classe vem buscando reagir a este cenário com os seus métodos, de forma organizada.

Tal fenômeno é um tesouro para todos aqueles que defendem a greve geral como melhor ferramenta para derrotar os ataques dos governos e dos patrões. Neste sentido, todos fizeram questão de reafirmar o papel decisivo da central para impulsionar esse processo ao se colocar na linha de frente da construção das paralisações nacionais articuladas entre as centrais até aqui.

Cláusula de barreira

Além de chamar para a luta contra o ajuste fiscal, o presidente nacional do PSTU, Zé Maria de Almeida, pediu apoio dos delegados do Congresso da CSP-Conlutas para a derrubada da cláusula de barreira, que muda as regras de acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de rádio e TV nas campanhas eleitorais.

Essa cláusula (PEC 182-07), aprovada pela Câmara dos Deputados no dia 28 de maio, atinge em cheio partidos de esquerda como PSTU, PCB, PCO e PPL.

A discussão deixou Luciana Genro numa “saia justa” durante o Congresso da CSP-Conlutas, já que o PSOL votou favorável à cláusula.

“Esta cláusula corresponde a colocar nossos partidos na clandestinidade e faz agora o mesmo que a ditadura fez no passado, tentando calar os partidos de esquerda”, criticou Zé Maria.

 

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