Delegações de 20 países confirmam caráter internacionalista da CSP-Conlutas

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O caráter internacionalista da CSP-Conlutas fica evidente e se fortalece com a participação de uma grande delegação internacional, composta por militantes dos movimentos sindicais, estudantis e movimentos sociais de 20 países.

Vindo da Inglaterra, o representante dos trabalhadores da construção civil da Inglaterra Michael Dooley, contou que pagou do próprio bolso a sua passagem para absorver a experiência dos trabalhadores brasileiros, principalmente aqueles do seu setor, que aqui também enfrentam grandes lutas.

“Eu quero voltar para minha base e dizer que não estamos sozinhos na luta e que os problemas da classe trabalhadora são os mesmos, então podemos buscar soluções através da cooperação internacional das classes”, declarou.

Dooley confessou que ficou emocionado com o um minuto de silêncio realizado na abertura do ato para marcar o Dia Mundial em Memória às Vitimas de Acidentes e Doenças do Trabalho. Ele contou que perdeu o pai num acidente de trabalho e a tia vítima de doença relacionada ao trabalho no chão de fábrica.

“Além disso, também perdi muitos amigos e esse é o único dia do ano quando o mundo todo para e pensa no sofrimento dos trabalhadores e realizam atividades e manifestações em todo o mundo e um minuto de silencio às 12hs”, disse o trabalhador escocês, radicado em Londres.

O horário da homenagem no 1º Congresso da CSP-Conlutas, por conta da diferença de fuso horário, coincidiu com a do país de Dooley. “Isso foi muito emocionante. Vou levar uma foto desse momento para meus companheiros para eles verem que não estamos sozinhos nessa e nas outras lutas da classe trabalhadora”, disse.

Morador de Londres, capital inglesa, Dooley comentou que a situação econômica do país está ruim, assim como em toda a Europa. No entanto, ressalva, que a economia sempre esteve ruim para a classe trabalhadora. “Essa é apenas mais uma justificativa que os patrões têm para cortar direitos dos trabalhadores”, avalia.

Segundo ele, no ano passado os empresários da construção civil quiseram fazer um corte de 35% no salário dos trabalhadores da categoria. “Pela primeira vez em anos, nós conseguimos organizar uma resistência nacional, ocupamos prédios públicos, estações de trem e metrôs e eles recuaram. Viram que nossa resistência é forte. Isso foi uma grande vitória”, relatou.

Outro militante que veio trocar experiência com os trabalhadores brasileiros foi o senegalês Moustapha Wagne, que atualmente vive, trabalha e milita na Itália. Ele soube do 1º Congresso da CSP-Conlutas através de sua organização, a Confederação Unitária de Base (CUB).

Wagne disse ter muita afinidade com perfil da CSP-Conlutas, pois é um movimento que dialoga com a população e une diversos setores populares e sindicais na luta contra o capitalismo, que se ocupa da massa popular como um todo. “Me atrai muito o objetivo popular da central e também o fato de envolver militantes de todas as idades”, comentou.

 A participação de muitos jovens chamou atenção do militante senegalês. “São os jovens que irão traçar um novo percurso no futuro do sindicalismo e dos movimentos populares. É muito bom vê-los aqui, com espaço e participação nas discussões”, avaliou. 

Wagne falou que acredita no sindicalismo sem fronteiras e propõe que o movimento discuta, no âmbito internacional, a imigração. Ele lança um apelo à CSP-Conlutas de unir forças também na luta pela causa dos imigrantes, que é uma questão global. “A CSP-Conlutas pode ter um papel importante nessa discussão, principalmente na América do Sul”, avaliou.

Moustapha Wagne é militante ativo na luta dos imigrantes na Itália, que cada vez mais são hostilizados e sofrem com a crescente onda de xenofobia, principalmente no norte do país.

Ele conta, com orgulho, que o movimento conseguiu, através do PdAC – Partido da Alternativa Comunista – nomear um candidato para as eleições de sindaco (prefeito) na cidade de Verona, localizada no noroeste da Itália, região de forte atuação da Liga Norte, partido conservador e xenófobo.

“É a primeira eleição em que a Sindaco, na Itália, terá entre os candidatos um negro, imigrante africano. Isso é um grande passo na nossa luta”, contou ele, ressaltando que o PdAC foi a única organização política, que abriu espaço na sua lista para um candidato imigrante.

O caráter internacionalista da CSP-Conlutas também agregou militantes do Paraguai. Uma delegação com nove representantes da Confederação da Classe Trabalhadora (CCT) participa do 1º Congresso da CSP-Conlutas.

David Romero, secretário da CCT, contou que a fundação da sua entidade, em novembro de 2010, teve um processo muito similar ao da CSP-Conlutas. Segundo ele, no Paraguai, assim como no Brasil, o governo teve sucesso na cooptação de centrais sindicais e importantes quadros do movimento. E, por conta do período eleitoral, seu país vive um refluxo dos movimentos sociais e sindicais. 

Romero ressaltou que a participação no congresso tem por objetivo manter a CCT sempre renovada e ativa, acompanhando as lutas internacionais. A entidade esteve presente na luta contra a desocupação do Pinheirinho.

“Esperamos que os companheiros da nossa delegação vivenciem e compreendam todas as experiências da luta de classes aqui expostas e que levem essa experiência ao Paraguai, para reivindicar o internacionalismo nas suas bases”, ressaltou.

Por Renata Maffezoli

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